Rural

Pato doente acendeu alerta para segunda suspeita de gripe aviária em Montenegro, diz Agricultura

Animal estava em propriedade onde há criação de galináceos para subsistência, a três quilômetros de foco inicial

Estado monitora casos de gripe aviária
Estado monitora casos de gripe aviária Foto : Pedro Piegas

A fim de conter o foco de gripe aviária detectado em uma granja de matrizes no município de Montenegro, no Vale do Caí, e divulgado oficialmente na última sexta-feira, trabalham cerca de 150 pessoas, somando funcionários da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mais das secretarias municipais de Desenvolvimento Rural e Saúde e da Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram). Segundo o chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da Seapi, Fernando Groff, não se sabe com certeza a origem do vírus, porém a suspeita mais forte é de envolvimento de aves silvestres, devido à circulação do mesmo em vida selvagem, mas não há comprovação do meio de ingresso na granja.

Outro foco também foi detectado no Zoológico de Sapucaia do Sul, na região metropolitana, onde mais de 100 animais morreram. Ou seja, há relativa certeza de que o patógeno não foi originário na própria granja, embora, neste local, tenha causado a morte de ao menos 16 mil animais, enquanto outros mil adicionais foram sacrificados como medida protocolar. “Estamos investigando as possibilidades e tentando juntar evidências suficientes para que seja definido o que aconteceu, inclusive como forma de melhorarmos nossos protocolos no futuro”, disse ele. A propriedade é de uma empresa, que certamente tem protocolos de biossegurança, mas houve falhas.

“A ideia não é fazer algo punitivo, mas sim preventivo”, acrescentou. Também segundo o chefe da divisão da Seapi, a suspeita do segundo foco de gripe aviária a três quilômetros do primeiro foi causada por um pato doente, notificado por um morador local. “A propriedade tem galinhas de subsistência, mas quem adoeceu foi o pato. Mesmo que positivar para o vírus, em nada altera nosso protocolo, porque são aves de subsistência. Mas vamos sanear igualmente, porque não podemos deixar exposto nem o animal, nem as pessoas”.

Há, atualmente, sete barreiras sanitárias em Montenegro, seis nas saídas do município, em um raio de três a dez quilômetros do foco inicial, e uma na sede do Centro de Treinamento da Emater (Cetam), afastado da área central de Montenegro, onde fica a base da Seapi. Nesta última, todos os veículos, independentemente de terem cargas de interesse, como frangos, ovos e carnes em geral, devem parar para a desinfecção. Elas funcionam 24 horas por dia, com agentes atuando em três turnos de oito horas, e vão permanecer “até que haja segurança para serem desmobilizadas”, disse Groff. Em tese, não há proibição de circulação de cargas.

A Seapi estabeleceu dois raios de atuação para inspeção: finalizou as 29 propriedades em um raio de três quilômetros em volta da granja do foco, cujas aves são criadas para subsistência, e deve terminar as 540 casas e propriedades em um raio de dez quilômetros nesta terça-feira. Isto é cíclico, devendo ser retomadas as inspeções no raio menor de três quilômetros na quarta ou quinta-feira e no de dez quilômetros, no sábado. Caso não haja mais focos, após 28 dias, correspondente a dois ciclos de 14 dias de incubação do vírus, há a desmobilização total.