O setor da pecuária acredita que em 2021 ocorra uma reprise dos preços do quilo do boi gordo praticados no último trimestre de 2020, quando variaram entre R$ 7,43 e R$ 8,95, segundo o Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Depois de um recuo em dezembro, as cotações médias voltaram a subir e chegaram a R$ 9,05 na semana passada.
Entre os fatores que levam o produtor a esperar um ano favorável está a oferta restrita de animais prontos para abate, algo que vem ocorrendo nos últimos anos como consequência de um enfraquecimento da atividade entre 2016 e 2018 e da ocupação cada vez maior das áreas da pecuária pela agricultura.
Mesmo que os preços dos últimos dois anos tenham começado a impulsionar mais investimentos, ainda não houve a recomposição do rebanho, como lembra o coordenador do Nespro, Júlio Barcellos. Além da escassez de gado, o Cepea/Esalq/USP estima que a demanda externa pela carne bovina brasileira seguirá alta e que a interna poderá se aquecer à medida que a economia brasileira se recuperar.
Embora o produtor esteja cauteloso, na avaliação de Barcellos a recuperação econômica do setor, iniciada em 2019, tem levado muitos pecuaristas a investirem no aumento da produtividade em áreas físicas menores. Isto deve resultar em maior nascimento de terneiros nos próximos dois anos.
Em suas propriedades localizadas em Dom Pedrito e Sant’Ana do Livramento, Custódio Magalhães, que preside a Associação dos Produtores do Pampa Gaúcho (Apropampa), conta que tem adotado um processo de profissionalização e vem investindo mais na alimentação do gado, na melhoria dos solos e no uso mais adequado dos recursos naturais das fazendas, visando mais eficiência na área destinada à criação. Magalhães também acredita em ano de valorização para as diferentes categorias (cria, recria e engorda). “Esperamos que o mercado externo siga demandante, assim com o mercado doméstico, que consome mais de 70% da nossa produção”, comenta.
Pecuária espera que preços se mantenham aquecidos
Quilo do boi gordo chegou a R$ 9,05 no final de janeiro como resultado da demanda internacional e oferta restrita de animais para o abate
