A casca do arroz tem sido estudada por diferentes instituições brasileiras para novos reaproveitamentos, além dos já conhecidos. Duas dessas possibilidades, ainda em fase de testes, são o uso do resíduo na gasolina e em móveis. Pesquisadores avaliam que os resultados são promissores.
No ano passado, cientistas das universidades federais de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, e do Ceará (UFC), com sede em Fortaleza, desenvolveram um supercatalisador para produção de biocombustíveis a partir de cinzas da casca de arroz. Com isso, segundo o estudo de autoria dos professores Jocielys Rodrigues, Meiry Glaucia e Fabiano Fernandes, foi possível produzir gasolina e diesel. “Conseguimos uma produtividade de 88% em termos de rendimento, baseado no produto final, enquanto a meta era 70%”, relata Rodrigues. A pesquisa, financiada pelo CNPq, foi publicada na revista científica internacional Brazilian Journal of Petroleum and Gas.
Antes disso, em 2018, foi o setor moveleiro que agregou uma possibilidade de deixar seus produtos mais competitivos e ecologicamente corretos. Na época, a professora Eliana Paula Calegari, do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), publicou o resultado do seu doutorado no Programa de Pós-Graduação em Design da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) apontando a criação de um compósito polimérico com 80% de casca de arroz, que pode ser utilizado em móveis. Os outros 20% são de resina poliéster. Segundo Ana, a combinação entre os dois materiais trouxe características como leveza e resistência a intempéries e cupins ao produto final.
