O preço médio da saca de 50 quilos de arroz ficou em R$ 62,47 na parcial da primeira quinzena de dezembro apurada pelo Esalq/Senar-RS. O valor real (descontada a inflação do IGP-DI no período) é o menor desde abril de 2019. Já o nominal é o menor desde 26 de junho de 2020, quando a saca fechou cotada a R$ 62,35.
Segundo os pesquisadores do Cepea/Esalq/USP, a rota de queda do preço do grão ocorre há cerca de um ano, sendo que em janeiro, no início da colheita, a cotação passou de R$ 90,00. Os motivos apontados para a desvalorização são a redução na procura pelo produto no mercado interno, por queda do poder aquisitivo da população, e exportações inferiores à expectativa.
O diretor comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), João Batista Gomes, afirma que o arroz brasileiro perde competitividade no mercado internacional quando o real se valoriza – o que ocorreu em alguns momentos do ano – tornando o produto mais caro do que o de outros países exportadores. Gomes acredita que o preço não deve apresentar nenhuma queda vertiginosa nos próximos meses, mas prevê poucas vendas na virada do ano, época em que tradicionalmente os negócios com o arroz diminuem. Salienta, entretanto, que deve ocorrer uma melhora da rentabilidade para o próximo ano, se o dólar se mantiver alto no Brasil, e antecipa que a autarquia pretende auxiliar o produtor a montar planos de exportação para o primeiro semestre de 2022.
Os produtores consideram a variação do preço preocupante quando projetam o plantio do ciclo 2022/2023. A presidente da Associação dos Arrozeiros de Alegrete, Fátima Marchezan, observa que enquanto o preço da saca despencou mais de R$ 30,00 apenas neste ano, os custos de produção dobraram. “Vamos ter de nos reunir e pensar o que vai dar para plantar na próxima safra”, diz. A dirigente ressalta, ainda, que no interior do Estado o arroz está sendo vendido até a preços inferiores aos detectados pela Cepea.
