Os preços dos defensivos agrícolas podem ficar mais caros para o produtor brasileiro na safra 2021/2022. Um alerta feito pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) indica que o segmento vem sofrendo os efeitos da pandemia, com escassez e alta nos custos de matérias-primas, embalagens e logística nacional e internacional. A entidade argumenta que o setor teve uma perda cambial de 18,5% entre janeiro e dezembro de 2020, consequência da depreciação do real em relação ao dólar. Além disso, alega que o frete marítimo dobrou nos últimos meses em razão da falta de contêineres e navios no mercado global.
O presidente do Sindiveg, Julio Borges, adverte que este cenário tem pressionado a indústria a reajustar seus preços para a próxima safra. “Em função da consistente variação do dólar, as empresas do setor não conseguiram fazer o repasse integral dos custos no ano passado, algo que vai acontecer neste”, avisa. A direção do sindicato não detalhou de quanto pode ser o reajuste nos defensivos e nem de que forma a falta de princípios ativos pode afetar o volume de produção.
Para o economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, a manifestação do Sindiveg preocupa. “Em 20 anos em que fazemos o acompanhamento dos custos de produção, nunca ouvi falar em carência de princípios ativos, o que, se for real, vai piorar ainda mais a situação para o produtor”, diz. Da Luz lembra que a Farsul tem chamado a atenção dos agricultores desde novembro do ano passado para o aumento dos insumos de uma maneira geral.
Segundo o economista, os preços dos defensivos também foram majorados em dólar e como a taxa cambial no Brasil está alta, o aumento no preço final é inevitável. “Observamos também que quando os preços agropecuários sobem, os insumos também sobem”, complementa o economista, apontando que isto é decorrente da falta de liberdade de comércio, que limita o produtor brasileiro e o impede de adquirir insumos de outros mercados.
