Rural

Prêmio para produção acadêmica destaca agricultura familiar

Inovações para resiliência climática também é tema desta edição

Escolha dos assuntos segue a lógica de apostar em tecnologias com potencial para definir as próximas décadas de desenvolvimento
Escolha dos assuntos segue a lógica de apostar em tecnologias com potencial para definir as próximas décadas de desenvolvimento Foto : Emanuel Cavalcante / Embrapa / CP

O Prêmio Fundação Bunge terá dois temas de destaque nesta edição: transferência de tecnologias para agricultura familiar e produção em cenários de estresse térmico e hídrico. A escolha dos assuntos segue a lógica dos últimos anos: a de apostar em tecnologias com potencial para definir as próximas décadas de desenvolvimento e estabelecer pontes aplicáveis tanto na agricultura comercial de exportação quanto na agricultura voltada para o mercado interno de alimentos.

A ideia, portanto, é dialogar com produtores, com a própria área de atuação da empresa – a Bunge é uma multinacional do setor de alimentos – e com os trabalhos acadêmicos de excelência na área.

“A agricultura tropical sustentável, hoje, é o futuro do mundo. A solução para os desafios da agricultura se encontra cada vez mais no sul global. A produção no Brasil já é muito sustentável, integrando lavoura, pecuária e floresta e utilizando tecnologias como bioinsumos. Agora queremos olhar para esses avanços em relação ao desafio da produção com poucos recursos hídricos”, aponta Cláudia Calais, diretora-executiva da Fundação.

“Já a agricultura familiar tem um papel importantíssimo, assim como a produção de larga escala, afinal é o que põe alimento na nossa mesa, mas também o que ajuda a manter os sistemas florestais preservados o suficiente para garantir clima e biodiversidade, sem os quais não há possibilidade de produção de grãos”, complementa Cláudia Calais.

Inscrição e prêmio

Inspirada no Nobel, premiação é considerada um dos principais reconhecimentos científicos do país. A 71ª edição receberá indicações até domingo (31) feitas por instituições de estudo e pesquisa, como institutos tecnológicos e universidades.

Ao todo, serão quatro prêmios, dois por tema, um voltado para pesquisadores ou ativistas que tenham destaque na área, com trajetória consolidada, e outro para pesquisadores iniciantes, com até 35 anos.

Além do valor financeiro – R$ 200 mil para a categoria Vida e Obra e R$ 80 mil para a categoria Juventudes – há também acompanhamento posterior, com apoio para novas parcerias e aplicação das tecnologias e experiências de destaque em outros cenários, tendo plataformas institucionais como referência.

“Mais importante do que o prêmio financeiro em si é o reconhecimento que proporciona. Esse reconhecimento ele passa não só por uma questão pessoal que acho que é importante de você reconhecer profissionais que se dedicam. Fazer ciência no mundo não é fácil, mas fazer ciência no Brasil é mais complicado ainda né?”, destaca a diretora.

Cláudia Calais explica que nos últimos anos, tem se tornado mais comum premiar pesquisadores com atuação fora do eixo Rio-São Paulo. O que antes era uma exceção, tem se tornado mais comum, com a expansão, a partir dos anos 2.000, de institutos de pesquisa e universidades pelo interior do país.

"Temos encontrado produção relevante e original em uma diversidade cada vez maior de instituições. Isso contribui também para se encontrar práticas diferentes e sistematização de soluções locais, mas com potencial de integração à produção de alimentos industrial, competitiva e de escala global."

O edital pode ser conferido no site da Fundação.

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