Rural

Produtores projetam perdas de até 20% na safra da laranja no Alto Uruguai

Perspectivas, devido efeitos da estiagem, foram avaliadas em reunião da Câmara Setorial da Seapi

Região é a maior produtora da fruta no Rio Grande do Sul e expectativa inicial de produtividade era 30 a 35 toneladas por hectare
Região é a maior produtora da fruta no Rio Grande do Sul e expectativa inicial de produtividade era 30 a 35 toneladas por hectare Foto : Orlando Passos/Embrapa/Divulgação/CP

A situação e perspectiva da safra de citros 2025, entre outros assuntos, foi o principal tema da primeira reunião da Câmara Setorial da Citricultura da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). O encontro foi realizado nesta quinta-feira, dia 27, em formato virtual.

A Seapi divulgou que o assessor técnico da Câmara, Paulo Lipp, afirmou que os relatos de representantes da cadeia produtiva de citros apontaram que os efeitos da estiagem que começou em meados de dezembro do ano passado estão começando a ser notados agora. Técnicos e produtores da região do Alto Uruguai, que é a maior produtora de laranja do Rio Grande do Sul, acreditam que a safra 2025 terá uma perda de 10 a 20% do esperado.

O extensionista rural da Regional de Erechim da Emater/RS-Ascar, Luiz Poletto, informou que a expectativa de produtividade era 30 a 35 toneladas por hectare, mas acredita que ficará 20% menor. “Queda de frutas e menor calibre devido à falta de chuvas são as principais causas”, relatou ele, destacando a importância econômica da atividade no Alto Uruguai que é fonte de renda para pequenas e médias propriedades. Conforme Poletto, o setor está aguardando um plano ou programa de governo para apoiar o desenvolvimento da citricultura.

O extensionista da Emater de Liberato Salzano, Valtemir Bazegio, afirmou que existe, na região, uma tendência de redução de 20 a 25% na produção de laranjas devido à estiagem. Já na região do Vale do Caí, mais especializada em bergamotas, a redução da produção não deve ser significativa, segundo os agricultores que atualmente estão na fase de raleio de frutos.

Tanto no Vale do Caí, como na Fronteira Oeste do Estado, as primeiras bergamotas que estão entrando no mercado, as Satsuma Okitso, sem semente, estão com preços abaixo do esperado pelos citricultores.

Os representantes das indústrias presentes ao encontro comentaram sobre o recorde dos preços do suco concentrado de laranja na Bolsa de Nova York no ano passado. Disseram que, este ano, houve uma redução acentuada, já chegando a valores abaixo de US$ 4 mil a tonelada.

Representando os viveiristas, Ernani Zimermman enfatizou que os preços da laranja ocasionaram grande procura por mudas, muito acima da oferta dos viveiros, e que o ideal seria que os produtores e prefeituras tenham cautela e se planejem com um ano de antecedência para realizar novos plantios.

Zimermman também ressaltou a importância da borbulheira da Embrapa de Pelotas para fornecimento de material propagativo. Alertou ainda para o ingresso de laranjas da Argentina, que poderia estar ocorrendo, em parte, de forma clandestina e colocando em risco a sanidade da citricultura estadual.

Durante o encontro, também foi discutida a prevenção do greening com ações de fiscalização do Departamento de Defesa Vegetal da Seapi. O diretor do Departamento, Ricardo Felicetti, afirmou que há uma rede de vigilância robusta no Estado por parte da Secretaria que é feita permanentemente. “O monitoramento é contínuo”, garantiu.

Ele citou um trabalho recente, feito junto com a Emater/RS-Ascar, voltado para a instrução de prefeituras (que adquirem mudas de citros). “É importante que elas saibam como impedir o ingresso de mudas clandestinas”, explicou Felicetti. “Qualquer ingresso no Estado depende de autorização prévia da Seapi”, enfatizou.

Segundo ele, em 2024, a Seapi realizou quatro mil monitoramentos de Diaphorina citri (transmissora do HBL/Greening e o psilídeo dos citros), sendo 240 em pomares suspeitos, onde nada foi encontrado.

Conforme a chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Seapi, Rita Antochevis, o monitoramento iniciou em setembro de 2024 e está terminando agora. “Foram monitorados 378 pontos e encontrados 21 psilídeos, mas todas as amostras das análises deram negativo”, comemorou. “De abril a setembro deste ano, a previsão é de monitorar 210 pomares, que tenham de cinco a 10 anos”.

Ciclo de palestras

Durante a reunião, foi divulgado que o 25º Ciclo de Palestras sobre Citricultura do Rio Grande do Sul vai ocorrer dias 28 e 29 de maio em Liberato Salzano. O evento é uma promoção da Seapi, Emater/RS-Ascar e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).

A próxima reunião da Câmara ocorrerá dia 23 de maio durante a Abertura Estadual da Safra de Citros em Montenegro.

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