Rural

Programa Boi Guardião é aposta do governo para reduzir desmatamento no Pará

Projeto busca o fim do desmatamento ilegal na atividade pecuária

Ministro da Agricultura participa de solenidade de lançamento do programa Boi Guardião
Ministro da Agricultura participa de solenidade de lançamento do programa Boi Guardião Foto : Valter Campanato/ABr
O Programa Boi Guardião, lançado hoje pelo Ministério da Agricultura e pelo governo do Estado do Pará, será peça fundamental para que o País atinja o "desmatamento zero" nas zonas de pecuária. A avaliação foi feita pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, em entrevista à imprensa em Marabá (Pará). "Efetivamente, o Boi Guardião vai nos levar ao desmatamento zero", declarou.

Stephanes assinou um acordo com representantes de supermercados, de frigoríficos, do governo do Pará e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em que todos se comprometem a fazer sua parte em prol do programa. O Boi Guardião é um sistema de georreferenciamento das propriedades produtoras de gado, que visa o fim do desmatamento ilegal na atividade pecuária. "O maior mérito do programa é que todos o construíram junto", disse.

Stephanes afirmou que o Boi Guardião livrará o País também de fraudes na pecuária. Ele criticou a expressão "boi pirata", usada pelo colega Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, para definir o gado criado em parques nacionais. "Sempre critiquei a posição policial, essa denominação do boi pirata", disse Stephanes.

Pelo programa, a propriedade que for apontada como fonte de desmatamento ilegal não receberá a Guia de Trânsito Animal (GTA) eletrônica para seu rebanho. O documento é uma espécie de passaporte do gado, que identifica os locais por onde os animais passaram. "Sem a GTA eletrônica, a pessoa ficará fora do mercado", alertou o ministro da Agricultura.

Segundo Stephanes, há razões econômicas e emblemáticas para que os pecuaristas passem a produzir de acordo com a lei e preservando o meio ambiente. Ele citou a exigência de rastreabilidade da carne já feita hoje por países da União Europeia. "Logo, outros países seguirão esse modelo, e até os brasileiros vão querer saber a origem da carne", previu. Por isso, segundo Stephanes, haverá benefício econômico para quem seguir o programa do governo. "Servirá para quem quer atender ao mercado de hoje e do futuro."

O ministro relembrou que a densidade por área, na pecuária brasileira, é baixa, inferior a uma cabeça por hectare. Por isso, de acordo com ele, é possível dobrar a produção de carne no País sem que haja aumento da área. "Hoje, temos 200 milhões de hectares à disposição da pecuária. Então, temos que investir para aumentar a produtividade."

Outro ponto positivo apontado no programa por Stephanes é a questão emblemática. "Isso é importante, pois, afinal, a Floresta Amazônica virou um emblema mundial", disse. Ele afirmou, no entanto, que as questões relativas à floresta são assunto do Brasil e que cabe ao próprio País e aos brasileiros cuidar desse tema. "Os brasileiros sabem cuidar muito bem de seu País", afirmou.