Apesar das restrições provocadas pela pandemia do coronavírus, os programas de carne bovina certificada comemoram o desempenho obtido em 2020 e fazem projeções otimistas para 2021. O mercado se mostrou aquecido para diversos cortes, com destaque para as partes do dianteiro, que registraram aumento de demanda. O segmento também acredita que o ciclo de valorização da pecuária bovina permitirá ao produtor seguir investindo em inovação na propriedade.
O programa Carne Pampa, voltado à carne certificada da raça Hereford, comemora o aumento de mais de 5% no número de animais certificados em 2020, além da adesão do frigorífico Verdi, de Pouso Redondo (SC), que começou os abates em fevereiro. Segundo a gerente do programa, Fabiana Freitas, o desempenho é considerado positivo em um ano em que “o mundo praticamente parou”. Para 2021, a meta é aumentar o número de indústrias certificadas. O contato com duas empresas do Paraná, considerado um polo importante, já está em andamento. O programa ainda não está voltado ao mercado externo, embora atue com frigoríficos que detêm o SIF. Mas a ideia, segundo Fabiana, é que em 2021 o Carne Pampa comece a trabalhar com produtos exportáveis.
Além das carnes tradicionais de churrasco, o programa Carne Pampa registrou uma procura expressiva pelos cortes de dianteiro em 2020. Segundo Fabiana, isso se deve ao fato de as famílias terem feito mais refeições em casa durante a pandemia da Covid-19. “Não só de cortes de churrasco se faz um bovino, mas também de todos os outros cortes, que são de excelente qualidade e que muitas vezes deixam de ser comercializados e de ir para a mesa do consumidor ou por desconhecimento ou até mesmo pela ausência das refeições em casa”, relata a gerente do programa. Entre os cortes de dianteiro mais demandados estão peito granito, peito sem granito, acém (porcionado ou inteiro), paleta (porcionada ou inteira) e raquete. O momento de valorização da carne bovina permitiu que muitos produtores aproveitassem para realizar investimentos na propriedade. Segundo Fabiana, os pecuaristas ligados ao programa já vinham buscando inovações de modo a oferecer um produto diferenciado e que atenda às demandas do consumidor.
ANGUS. Já o programa Carne Angus, da Associação Brasileira de Angus, encerra 2020 celebrando a exportação de 531,5 mil toneladas, volume 31% superior ao exportado em 2017, que até então era a quantidade recorde. Boa parte desse volume (43,7%) foi embarcada para a China. A raça também registrou expansão no número de carcaças certificadas pelo programa Carne Angus nas unidades frigoríficas parceiras. O aproveitamento dos animais certificados teve alta de 25%. O número de empresas parceiras cresceu, com a adesão dos frigoríficos Coqueiro (RS) e Boibras (MS) e das redes varejistas Comper (MS) e Festval (PR).
Segundo a gerente do programa, Ana Doralina Menezes, a meta para 2021 é abrir novos mercados para o Angus brasileiro, que já chegou a países exigentes como a Alemanha e tem clientes fiéis nos países árabes. Mesmo assim, o objetivo é garantir o atendimento ao público nacional. “Temos frigoríficos parceiros que são muito voltados para o mercado interno”, ressalta.
Entre os cortes de carne Angus, o destaque foi o incremento na demanda pela carne do dianteiro, que normalmente não era utilizada. De acordo com Ana Doralina, isso se deve a uma combinação de fatores, entre eles o preço mais acessível e a experiência gastronômica possibilitada pela pandemia.
“As pessoas não puderam ir aos restaurantes e começaram a fazer essas receitas em casa”, observa. São cortes que tradicionalmente não fazem parte do cardápio de churrasco, mas que também podem ser feitos assados no forno ou na panela. Entre eles estão o shoulder e o short rib. Conforme a gerente do programa Carne Angus, o fato de a carne ser proveniente de animais jovens garante a qualidade do produto.
