Rural

Projeto cria o Fundo Nacional de Apoio à Juventude Rural

Iniciativa visa fortalecer a sucessão e a permanência das gerações mais jovens no campo

Natália Reis, de Camaquã, se interessa pela piscicultura, atividade que já existia na propriedade
Natália Reis, de Camaquã, se interessa pela piscicultura, atividade que já existia na propriedade Foto : Arquivo pessoal de Natália Reis

Para marcar o Dia Estadual da Juventude Rural, nesta terça-feira, 15 de julho, durante o Encontro Estadual de Juventude da Fetag-RS, foi lançado o Projeto de Lei 3024/2025, de autoria do deputado federal Heitor Schuch (PSB/RS). O evento, na sede da entidade, trouxe à capital gaúcha mais de 500 jovens trabalhadores e trabalhadoras rurais.

O projeto visa fortalecer a sucessão rural e incentivar a permanência da juventude no campo, com ações voltadas ao acesso ao crédito, assistência técnica e capacitação. O Funajur será o instrumento financeiro responsável por garantir os recursos necessários para essas políticas, com participação paritária entre governo e sociedade civil.

“A juventude rural precisa de oportunidades para seguir produzindo alimentos e gerando renda no campo. Se não tivermos uma política nacional voltada à juventude rural, corremos o risco de ver a agricultura familiar sem continuidade”, alertou Schuch. O projeto abrange jovens entre 16 e 29 anos em unidades familiares de produção, priorizando aqueles em formação técnica ou superior na área rural.

Empreendedorismo no campo

O Dia da Juventude Rural valoriza o papel dos jovens que vivem e trabalham no campo. A data gera reflexão sobre a importância da sucessão familiar na agricultura e o protagonismo juvenil no dia a dia das propriedades. Esses jovens, além de contribuírem ativamente na produção, trazem uma nova visão, mais conectada à tecnologia e à inovação. Com o apoio da Emater/RS-Ascar e o acesso à tecnologia, essa nova geração tem inovado na forma de produzir, administrar e divulgar seus produtos.

Desde 2018, a Emater/RS-Ascar promove o curso de Empreendedorismo e Desenvolvimento para a Juventude Rural, oferecendo a oportunidade de enxergar e transformar as propriedades rurais a partir do protagonismo dos filhos de agricultores de diversas regiões do Estado, onde o curso é realizado.

Um exemplo dessa nova geração é Maria Eduarda Naibert Pandolfo, de Campo Bom. Aos 17 anos, está à frente das redes sociais da agroindústria Famiglia Pandolfo.

"Decidi continuar com os negócios da família porque sei a importância que as redes sociais têm hoje em dia. Elas são uma ferramenta poderosa para divulgar e fazer crescer uma empresa", afirma Eduarda.


A aposta no marketing digital trouxe resultados concretos à empresa, que investiu em campanhas pagas, aumentando sua visibilidade e as vendas. "Muita gente começou a chamar no Instagram e no WhatsApp depois das campanhas. Hoje, quando alguém chega em casa, já vai direto pro celular. É lá que as coisas acontecem", destaca a jovem.

Por outro lado, há quem prefira manter os pés na terra, investindo em atividades diretamente ligadas à produção. É o caso de Natália Reis, de Camaquã. A propriedade de sua família é produtora de tabaco e, durante o curso oferecido pela Emater/RS-Ascar, ela se interessou pela piscicultura, atividade que já existia na propriedade, mas que ganhou nova atenção. O aprendizado motivou a jovem a buscar melhorias e a empreender com mais segurança. "Planejo meu futuro no campo. Quero continuar me qualificando para aprimorar ainda mais a propriedade da minha família. Por isso, pretendo manter vínculo com a cidade e contribuir para o desenvolvimento rural da região", comenta Natália.

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