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Queijo podre em meio a ratos é encontrado em Canoas

MP realizou Operação Queijo Compen$ado 3 na manhã desta quinta<br />

Queijos podres foram encontrados em operação do MP
Queijos podres foram encontrados em operação do MP Foto : Guilherme Testa
A Operação Queijo Compen$ado 3, realizada pelo Ministério Público com apoio da Brigada Militar na manhã desta quinta-feira, encontrou queijo podre em um local com ratos em Canoas, na Região Metropolitana. A reportagem do Correio do Povo acompanhou o cumprimento de mandado em um ferro-velho na rua Argentina, no bairro São Luís.

No local, no meio de carcaças automotivas e veículos inteiros, havia uma casinha sem portas onde ratazanas tinham livre acesso. No interior, um cenário de horror: três caixas d´água, de 500 litros cada, continham queijo podre para serem transformados em ralado. Na volta, centenas de pacotes já prontos para a venda, muitos também deteriorados. Dezenas de rótulos com selo de inspeção federal e estadual, provavelmente falsificados, encontravam-se dentro de caixas. Inexistia qualquer sistema de refrigeração na casinha.

Já em um pavilhão situado na mesma quadra, a situação não era muito diferente. Engradados com centenas de pacotes de queijo ralado estavam empilhados. Muitos apodreciam e estavam até na cor verde. Peças inteiras de queijos embolorados disputavam espaço. Dois Ford F100, com placas de Constantina, usados no transporte, foram recolhidos. Havia ainda sacos de amido de milho empregados na adulteração. Farta documentação obtida no local será periciada.

“É um quadro muito grave os produtos estragados e as condições higiênicas péssimas. Isso realmente constituiu um risco muito grande à saúde da população. É preocupante que produtos dessa natureza estejam sendo comercializados”, avaliou o Promotor de Justiça Gerson Daiello.

“O que mais me impressionou foi o fato desses produtos estarem colocados em ambientes totalmente inadequados”, acrescentou, suspeitando que o queijo ralado tinha como destino estabelecimentos comerciais e restaurantes. O Promotor de Justiça Gerson Daiello estimou mais de 5 toneladas de queijo nos dois locais. 

A terceira fase da operação Queijo Compensado cumpriu cinco mandados de prisão e outros 17 de busca e apreensão nas cidades de Constantina, Sarandi, Tenente Portela, Antônio Prado, Carlos Barbosa, Porto Alegre e Canoas. A ação foi coordenada pelos Promotores de Justiça da Especializada Criminal, Mauro Rockenbach, e de Defesa do Consumidor, Alcindo Luz Bastos da Silva Filho. A Brigada Militar, Receita Estadual, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Centro Estadual de Vigilância em Saúde e a Fundação Estadual de Proteção Ambiental participaram da mobilização.,

As investigações apontaram diversas irregularidades em quatro laticínios da região Norte e da Serra, sendo constatada a adição de amido de milho no queijo utilizado para mascarar a colocação de menos leite do que o exigido pelas normas da indústria. As empresas investigadas também forneciam queijo com prazo vencido, estragados, sem procedência e com rótulos dos produtos com suspeita de falsificação dos selos de inspeção, além de contaminação por bactérias da espécie CF e coliformes fecais.

Conforme o Ministério Público, uma empresa de Constantina e outra de Carlos Barbosa possuíam somente o selo do Serviço de Inspeção Municipal, mas comercializavam clandestinamente seus produtos em diversas cidades, principalmente na Região Metropolitana de Porto Alegre, Vale dos Sinos e Litoral Norte. Um dos produtores investigados na operação, por exemplo, distribuía em torno de 100 toneladas de queijo por mês somente para a Região Metropolitana de Porto Alegre.