Rural

Recorde de vendas na Expointer gera divergência

Governo anuncia aumento de 61,69%, mas Farsul e Fetag questionam números

Último dia de Expointer foi de movimento intenso e tempo abafado
Último dia de Expointer foi de movimento intenso e tempo abafado Foto : Vinícius Roratto
Após uma Expointer onde a chuva que inundou o parque Assis Brasil parecia ter liquidado com a meta de R$ 2,5 bilhões em negócios, o governo estadual anunciou recorde de R$ 3,29 bilhões, uma expansão de 61,69% em relação aos R$ 2,036 bilhões de 2012. Até o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, se rendeu. “Os resultados surpreenderam a todos nós, sem dúvida.” Do total, R$ 3,27 bilhões foram em propostas de máquinas e equipamentos agrícolas protocoladas nos bancos ou pagas à vista.

O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, questionou com veemência os negócios com maquinário e cobrou transparência. Para ele, a feira não chegou nem aos R$ 2 bilhões. “Eu não acredito neste resultado, queremos a feira da verdade.” Desconfortável, ele defendeu uma explicação para o salto, já que até a quarta-feira parte dos estandes estavam alagados e vazios. “Tem alguma coisa errada ou o preço subiu muito”, disse, ao ironizar que São Pedro deve ser “excelente marqueteiro”. O vice-presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, reforçou. “Com essa notícia na imprensa, ou o consumidor pagará mais ou estaremos endividando o agricultor. O custo de produção está subindo. Euforia demais também faz mal ao setor.”

No meio do fogo cruzado, que beirou o bate-boca público, o presidente do Simers, Claudio Bier, disse não inventar números, mas que eles refletiam o levantamento dos bancos. Segundo Bier, a virada começou na quarta-feira, após a água que interditou 30% dos estandes baixar. Ele acrescentou que R$ 300 milhões engatilhados em negócios internacionais nem entraram na conta. “O setor vive um momento mágico, temos grande safra, bons preços, crédito farto e juro barato.”

Independentemente do valor anunciado, segundo os bancos, cerca de 50% das propostas não se efetivam. Ficam pelo caminho, produtores com crédito reprovado, propostas em duplicidade e desistências, enumeram representantes dos bancos, que protocolaram R$ 2,47 bilhões em pedidos. Bancos de fábrica e Bradesco negociaram outros R$ 250 milhões. O setor de irrigação cresceu 460%, para R$ 314 milhões em intenções de compra.

Nos animais, apesar da queda na participação e da chuva ter prejudicado julgamentos, o preço médio subiu, festejou o presidente da Febrac, Eduardo Finco. Foram 1.324 exemplares e coberturas por R$ 16,06 milhões, alta de 16,95%. A cifra foi possível graças à venda dos cavalos Crioulos, que geraram R$ 12,56 milhões, um crescimento aproximado de 25%. O resultado também mostrou a boa fase da pecuária leiteira, cujo faturamento subiu de R$ 128 mil para R$ 272,82 mil, e da ovinocultura, que movimentou R$ 735,28 mil.

Para 2014, além de tentar estabelecer o detalhamento da venda de máquinas, deve chegar à Comissão Permanente a discussão da possibilidade de uma antecipação da mostra em 15 dias para fugir das chuvas intensas, que derrubaram o público neste ano. Até as 16h de domingo, eram 376 mil visitantes contra 478,3 mil em 2012. Para o diretor do parque, Telmo Motta, o debate não se justifica já que a última cheia desta magnitude aconteceu em 1966, antes da feira ocorrer em Esteio.

Para o ano que vem, o parque deve receber melhorias, bem como o seu entorno. A reconstrução de quatro pavilhões tem recurso assegurado. Já a remodelação depende da aprovação do projeto na Assembleia Legislativa para posterior assinatura de concessões de uso pela a iniciativa privada. No entorno, a prefeitura articula ações de manejo da água e conta com a inauguração da BR 448 em janeiro.


Bookmark and Share