Rural

Representantes do tabaco gaúcho vão a COP 11

Mesmo sem acesso à Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, a comitiva busca defender a cadeia produtiva

O tabaco envolveu na safra 2024/25 mais de 138 mil famílias no Sul, que geraram quase 720 mil toneladas do produto
O tabaco envolveu na safra 2024/25 mais de 138 mil famílias no Sul, que geraram quase 720 mil toneladas do produto Foto : SindiTabaco / Divulgação / CP

Uma comitiva de lideranças ligadas direta e indiretamente à cadeia do tabaco da Região Sul, sobretudo gaúchos, vão acompanhar a 11ª Conferência das Partes (COP 11) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), de 17 a 22 de novembro, em Genebra, Suíça.

Entre os participantes, o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), que informa não ter acesso aos debates, mas “o grupo estará no local para garantir que a delegação oficial brasileira não crie empecilhos à produção de tabaco já estabelecida no País e cumpra a declaração interpretativa assinada pelo governo federal quando o Brasil aderiu à Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco.

“Estamos levando conosco a voz de 533 mil pessoas envolvidas com essa atividade no meio rural e outras 44 mil nas indústrias. É o meio de sustento destes cidadãos brasileiros que estaremos defendendo, mesmo que nos bastidores”, comenta o presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing.

Assim como em outras COPs, menciona o SindiTabaco, tanto os representantes eleitos, quanto entidades representativas dos produtores e a própria imprensa tiveram acesso negado às sessões. “A falta de transparência e diálogo são marcas de um tratado que não tem mais se preocupado apenas com a saúde pública, mas que avança para erradicar a produção de tabaco, com medidas que podem impactar diretamente a renda e os empregos gerados pela produção no Brasil”, reforça Thesing.

Importância do tabaco

O Brasil é o segundo maior produtor de tabaco, atrás apenas da China, seguido por Índia, Zimbábue e Estados Unidos, e o maior exportador desde 1993. E a Região Sul é o principal polo produtor, com os seguintes principais indicadores, conforme o SindiTabaco: 525 municípios produtores, 138 mil agricultores, 44 mil empregos diretos nas indústrias, 533 mil pessoas envolvidas na cadeia produtiva apenas no meio rural, 310 mil hectares plantados, 720 mil toneladas produzidas, R$ 14,6 bilhões em receita para os produtores, 447 mil toneladas exportadas (em 2024), R$ 18,8 bilhões em impostos arrecadados anualmente (2024) e US$ 2,89 bilhões em divisas geradas com exportações (2024).

E o Rio Grande do Sul responde por cerca de 50% da produção nacional. De acordo com a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), a cadeia produtiva envolveu, na safra 2024/25, mais de 138 mil famílias produtoras nos três estados do Sul. As quase 720 mil toneladas produzidas renderam cerca de R$ 14,58 bilhões, recursos que movimentam outros segmentos nos 525 municípios produtores da Região Sul do Brasil.

“Esses números destacam a importância estratégica do tabaco para a economia do Sul do Brasil, tanto pelo seu impacto social quanto pela geração de receita e divisas, especialmente para as comunidades rurais, onde a cultura representa uma das principais fontes de renda e desenvolvimento”, ressalta Thesing.

Entre os integrantes da delegação em Genebra estarão representantes das entidades Stifa, Abifumo, Amprotabaco, Afubra e Fentitabaco, o secretário estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Edivilson Brum, o chefe de Gabinete da Seapi, Joel Maraschin, o secretário estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), Vilson Covatti, o diretor geral da SDR, Romano Scapin, além dos deputados federais Afonso Hamm (RS), Dilceu Sperafico (PR), Heitor Schuch (RS), Marcelo Moraes (RS), Rafael Pezenti (SC), Zé Neto (BA) e Zé Rocha (BA), e os deputados estaduais gaúchos Airton Artus, Dimas Costa, Marcus Vinícius, Pedro Pereira, Silvana Covatti e Zé Nunes.

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