Os negócios que serão realizados durante a 39º Expointer não devem ter influência do rito de votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff em andamento no Senado Federal, desde a última quinta-feira. Pelo menos é esta a visão que compartilham diferentes setores participantes da feira.
O economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio Da Luz, entende que nenhum interessado vai comprar ou deixar de comprar bens ou animais durante a exposição com base nas expectativas do resultado do processo político que se desenrola em Brasília. “O agronegócio é exercido por empresários e não por políticos. Empresários tomam decisões econômicas com base em necessidades e em capacidade de investimento. A aprovação do impeachment é tida como certa, não vai influenciar nos posicionamentos de negócio”, analisa.
Para o presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Eduardo Finco, o país e a economia já entendem o impeachment da presidente e a mudança definitiva de governo como consolidados. “A não ser que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, anuncie, hoje, durante a abertura oficial da feira, juros diferenciados para compra e venda nos setores do agronegócio, nenhuma surpresa é esperada”, diz.
O dirigente lembra que o país não está vivendo um quadro de novidade. “O processo de cassação da presidente Dilma se arrasta há meses. A única coisa que poderá acontecer é as atenções serem divididas entre Brasília e Esteio, para acompanhar as duas coisas”, conclui Finco, para quem as principais medidas esperadas do governo interino já foram tomadas, o que deve proporcionar aos produtores a devida segurança para realizar os negócios que desejem.
Mesmo concordando que a votação do impeachment não deve ter influência sobre as vendas, o vice-presidente regional da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Hernane Cauduro, avalia que a confirmação da saída da presidente Dilma Rousseff do governo pode dar início à recuperação do segmento, que sofreu com a retração nas vendas desde o início do ano passado. “No último ano, o setor de máquinas e equipamentos teve uma queda estimada em 30% na comercialização. Mesmo que seja difícil uma grande virada durante a feira, em termos de faturamento é possível que com a confirmação do afastamento da presidente, se inicie a caminhada para enxergar uma luz no fim do túnel”, avalia.
Resultado do impeachment não deve afetar vendas da Expointer
Líderes do setor entendem que desempenho da Feira independe da decisão em Brasília
