Rural

RS busca reduzir dependência de fertilizantes importados

Plano Estadual de Fertilizantes também tem por objetivo fortalecer a produção local

Aproximadamente 90% dos fertilizantes utilizados na agricultura brasileira são importados
Aproximadamente 90% dos fertilizantes utilizados na agricultura brasileira são importados Foto : Álvaro Resende / Embrapa Milho e Sorgo / Divulgação / CP

A agricultura brasileira é uma eterna dependente das importações de fertilizantes, e no Rio Grande do Sul cerca de 90% do volume de adubo aplicado nas diferentes produções é oriundo de outros países. Esta realidade foi tema de uma audiência pública dias atrás na Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), encontro que reuniu representantes do setor produtivo, do governo e da academia para discutir um plano estadual de fertilizantes. Entre os participantes da reunião esteve o engenheiro florestal Jackson Brilhante, coordenador do Plano ABC+RS da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

Conforme Brilhante, a demanda anual de fertilizantes no Brasil é de aproximadamente 50 milhões de toneladas por ano, das quais aproximadamente 90% são supridas por importações, uma dependência externa que reflete a limitação da produção nacional e torna o país o maior importador mundial desses insumos.

“O estado do Rio Grande do Sul ocupa a quarta posição nacional em consumo, com cerca de 5 milhões de toneladas, o que equivale a 10% da demanda brasileira”, descreve. “Essa dependência externa é especialmente crítica para culturas como soja, milho e café, que exigem fertilização intensiva”, avalia.

Além disso, explica, o crescimento do consumo de fertilizantes pela agricultura brasileira tem superado a oferta nacional nos últimos anos, o que agrava o desequilíbrio entre demanda e produção. “Esse cenário é ainda mais desafiador devido a problemas logísticos na distribuição dos fertilizantes pelas diversas regiões do país e a conflitos geopolíticos internacionais, que podem comprometer o fornecimento ao Brasil”, complementa.

Dentro das iniciativas em nível nacional para melhorar tal realidade está o Projeto de Lei Federal nº 699/2023, que institui o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), que busca promover medidas como incentivos fiscais (a exemplo, isenções tributárias para empresas que realizarem investimentos na produção nacional), além de desoneração de matérias-primas e de serviços, e o estímulo à infraestrutura industrial, como a permissão para que empresas adquiram máquinas, equipamentos e materiais de construção com incentivos tributários com destino à implantação, ampliação ou modernização de unidades industriais de produção.

O projeto foi aprovado no Senado e está na Câmara dos Deputados.

Fabricação estadual

Já em nível estadual está em andamento o Projeto de Lei nº 166/2025, de autoria do deputado estadual Paparico Bacchi, que institui o Plano Estadual de Fertilizantes, Insumos para Nutrição de Plantas e Bioinsumos.

A proposta tem como objetivo estabelecer diretrizes estratégicas para a fabricação de insumos agrícolas, assim como promover o desenvolvimento sustentável da agropecuária e incentivar a pesquisa e inovação tecnológica, além de buscar atrair indústrias para o estado.

“O plano também busca reduzir a dependência de fertilizantes importados, fortalecendo a produção local e contribuindo para a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio gaúcho”, explica Brilhante.

No encontro também foi relatada uma experiência chinesa na produção de fertilizantes, que foi conhecida por Brilhante. “É uma tecnologia que produz fertilizantes nitrogenados a partir de gases gerados na combustão do carvão mineral, especialmente CO₂ e SO₂”, descreve.

“Lá na China vimos um projeto que tem um potencial de capturar cerca de 1,2 milhão de toneladas de CO₂ por ano e produzir aproximadamente 2,3 milhões de toneladas de fertilizantes nitrogenados compostos, como sulfato de amônio e bicarbonato de amônio”, complementa.

“De uma maneira geral, os resultados nos experimentos realizados em solos da China, Alemanha e França demonstraram uma elevada eficiência agronômica e econômica para as condições avaliadas”. Brilhante lembra que ainda é importante avaliar os produtos em solos tropicais brasileiros, que são caracterizados por solos ácidos.

“Outro ponto a ser destacado, é com relação ao bicarbonato de amônio, que apesar de ser amplamente utilizado pelos produtores chineses, ainda não é bem conhecido pelos produtores brasileiros”.