Rural

RS busca ser o 1º estado a ter rastreabilidade bovina

Meta estadual é antecipar a implantação do Plano Nacional de Identificação

Grupo de Trabalho definiu identificar animais com brinco e chip
Grupo de Trabalho definiu identificar animais com brinco e chip Foto : Fernando Dias / Seapi / CP

O Rio Grande do Sul está empenhado entre os organismos públicos e institucionais para ser o primeiro estado ou um dos primeiros a implantar a rastreabilidade bovina. O Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil lançou, em 2024, o Plano Nacional de Identificação de Bovinos e Búfalos (PNIB), que prevê a obrigatoriedade da rastreabilidade de animais de maneira individual e em todo o rebanho até 2032, o que vai permitir monitorar e registrar o histórico, a localização e a trajetória dos bovinos. Já o Estado anunciou, na Expointer 2025, um projeto-piloto em andamento junto a 50 propriedades e milhares de bovinos que busca antecipar etapas previstas em nível nacional e tem por meta ser a base para um plano estadual a ser implementado ainda neste ano.
O secretário adjunto de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena, explica que a rastreabilidade é discutida na instituição desde 2023 por meio de um Grupo de Trabalho e, com o anúncio do PNIB e seus regramentos, se definiu promover a identificação e rastreabilidade de animais com brinco, chip no padrão do programa brasileiro, algo previsto nacionalmente apenas para 2027. “O nosso projeto-piloto, além de iniciar a implementação, que tem o objetivo, claro, de testar, sensibilizar a cadeia produtiva, entender como é que vai ser o processo, também tem o objetivo de ganhar um pouco de tempo.”
Ele conta que em março, abril e, principalmente, em maio, na Fenasul, a ideia é organizar uma grande discussão baseada nos números do projeto-piloto de animais identificados, e ainda entender, via PNIB, como os outros estados estão se movimentando. “Fazer (a implantação do plano estadual) quando tivermos maturidade, e quando eu digo ‘maturidade’ é em relação ao nosso sistema de informática bem estruturado, as movimentações no campo acontecendo de forma já organizada, para que possamos lançar um plano estadual. Aí se encerra o projeto-piloto e começa a adesão de novos produtores.”

Sistema Existente
Madalena afirma que outros estados também estão discutindo a implantação, mas o modelo gaúcho é único. O plano nacional prevê que, entre 2025 e este ano, ocorra a adequação do sistema de TI e a sensibilização e discussão com o setor, e, então, em 2027 a implementação do elemento identificador, ou seja, o brinco em animais jovens. “Como já temos um sistema de informática que permite essa movimentação com brinco ou com elemento identificador individual, decidimos o seguinte: vamos começar já para 2025 o que está previsto em 2027. Colocar brincos nos animais e começar as movimentações para ir fazendo os ajustes necessários”, diz.
“O Estado ganha com esse projeto-piloto, com essa iniciativa, uns dois a três anos, porque lá na frente temos convicção que isso deve nos reposicionar ou nos posicionar melhor na pecuária”, avalia. Com o lançamento do plano estadual neste ano, ele prevê que em 2028, 2029 haverá um percentual “interessante” do rebanho já identificado.

Mercado
Ele menciona que as mais relevantes pecuárias do mundo, como americana, australiana e até uruguaia já mantêm sistemas de rastreabilidade, o que as diferenciam nos mercados globais. Enquanto o Brasil, o maior produtor e exportador de carne bovina, nunca implantou um sistema para poder rastrear, individualmente, um animal – apenas por lotes, o que poderia agilizar a resolução de eventuais problemas sanitários que implicariam em sanções de mercados internacionais.
“A nossa pecuária, no caso do Pampa, funciona praticamente em simbiose com o bioma. Ao invés de ser um passivo é um ativo ambiental. Acreditamos que antecipando esses processos vamos colocar nossa pecuária numa situação interessante”, aposta. “Para fins de mercado isso é extremamente importante, porque o mercado todo já está exigindo rastreabilidade.”

Participação
A iniciativa de implementar a rastreabilidade bovina envolve o setor produtivo gaúcho em geral e suas instituições e entidades. “Estamos ouvindo todos para junto construirmos esse plano estadual de rastreabilidade do Rio Grande do Sul. Ou seja, não será um plano construído em gabinete apenas com servidores de Estado ou com algumas lideranças setoriais”, afirma o secretário adjunto Márcio Madalena. “Então teremos um plano estadual que será complexo o suficiente para ser muito bem aceito do ponto de vista de mercado nacional e internacional e robusto perante auditorias. Mas também vai ser simples o suficiente para ser executado pelo produtor. Esse é o nosso grande desafio”, revela. “Eu tenho dito que é esse nosso movimento organizado do Rio Grande do Sul, o setor produtivo, pode nos levar nos próximos anos a ser o primeiro, senão um dos primeiros estados a ter todo seu rebanho identificado.”