Rural

Rumos da pecuária gaúcha e brasileira debatidos em Porto Alegre

XXI Jornada NESPro e II Congresso de Criadores, que prossegue nesta quinta-feira, reúne mais de 650 pessoas no BarraShopping

Evento no BarraShopping reúne especialistas em pecuária para uma plateia de mais de 650 pessoas
Evento no BarraShopping reúne especialistas em pecuária para uma plateia de mais de 650 pessoas Foto : Marina Ferreira / Divulgação / CP

Com casa cheia com mais 650 pessoas presentes, a XXI Jornada NESPro e II Congresso de Criadores transformou o BarraShopping Sul, em Porto Alegre, no ponto de encontro da pecuária gaúcha na quarta-feira, 24, e prossegue nesta quinta-feira.

Na plateia, a predominância foi de produtores rurais e médicos veterinários que concentraram quase a metade dos participantes. Destaque também para a presença de representantes de nove estados brasileiros e também do Mercosul (Uruguai, Argentina e Paraguai).

Entre os destaques do primeiro dia do evento, está o lançamento de uma plataforma de alertas climáticos direcionados para a pecuária. Renato Aboud, CEO da VortixGeo, uma empresa de inteligência climática e geoespacial, afirmou que existem pelo menos duzentas variáveis climáticas que podem contribuir com a tomada de decisão do produtor.

O professor Júlio Barcellos, coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos e Corte e Cadeia Produtiva (NESPro), informou que o serviço estará disponível para teste no site do Nespro a partir da semana que vem.

O modelo que será utilizado atua em cinco eixos: bem-estar, sanidade, nutrição, reprodução, manejo e gestão de risco. Dentro de cada eixo, são monitorados indicadores como risco de infecção por carrapato, no caso de sanidade, que observa a temperatura ideal para a eclosão dos ovos, por exemplo, ou o momento ideal para cobertura, também observando características locais de cada propriedade. As informações são coletadas pelo CAR (Cadastro Ambiental Rural) da propriedade.

Antonio Chaker, mestre em produção animal e consultor sênior, fez uma analogia entre o futebol e a pecuária. Segundo ele, “quando está tudo bem, o produtor precisa jogar na defesa, e quando chega a crise é hora de atacar”.

Para Chaker, o desafio é compreender a mudança geracional e atuar com intenção para que cada um atue no que sua característica faça mais sentido.

“Temos cinco gerações atuando dentro das propriedades, e é preciso modernizá-las para atrair e manter pessoal. Não falta equipe, falta filosofia”, pontua.

E ao falar sobre os desafios da pecuária, Chaker disse que a melhor forma de lidar com o risco de preço é produzir boi barato.

A presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Antonia Scalzilli falou sobre a estratégia organizacional coletiva para a pecuária bovina. Segundo ela, quando o consumidor vai ao supermercado ele só vê o produto, a carne.

“Da mesma forma, quando ele vê uma notícia ruim sobre o setor, ele só vê a carne, porque não consegue enxergar os elos separados da cadeia. Por isso, precisamos agir coletivamente, para um resultado conjunto do setor.”

Rastreabilidade

No painel sobre rastreabilidade, o tema da União Europeia entrou na pauta, na fala da pecuarista Fernanda Costabeber da Fazenda Pulquéria. Segundo ela, a possibilidade de retirada da monensina, um aditivo alimentar que é fornecido para animais que recebem suplementação, não compensaria pelo custo que agregaria na produção ao utilizar substitutos como óleos essenciais.

Conforme a pecuarista, o volume para a Europa é pequeno, mas paga bem, entretanto, cada produtor teria que calcular até que ponto essa exportação valeria a pena.

“O Uruguai segrega os animais que são exportados para a União Europeia e conversei com um confinador de lá que retira a monensina somente nos últimos 30 dias. Por que o Brasil tem que retirar o produto de todo o plantel?”, questiona.

O secretário da Agricultura Márcio Madalena afirmou que o Rio Grande do Sul, que já tem um projeto piloto de rastreabilidade individual, será o primeiro estado brasileiro a rastrear a totalidade do rebanho.

Madalena, que já atuou no Ministério da Agricultura e visitou todos os estados brasileiros, disse que o Rio Grande do Sul é o estado mais preparado em termos de Serviço Veterinário Oficial.

Antonio Mário Penz Júnior, diretor global de contas da Cargill Nutrição Animal falou sobre “Um mundo em transição e o protagonismo da produção de carne bovina pelo Brasil”. O especialista ressaltou que o país está em uma posição “absolutamente privilegiada, com muitas oportunidades”.

Penz Júnior pontuou a inversão da pirâmide alimentar norte-americana e os efeitos das canetas emagrecedoras no consumo de proteínas.

A abertura oficial do evento contou com a presença do governador em exercício, Gabriel Souza que destacou que sanidade, rastreabilidade e abertura de mercados são temas de primeira ordem.

A programação do evento segue nesta quinta-feira com temas como integração de sistemas agropecuários, manejo reprodutivo e nutricional ,e mercado e consumo da pecuária.

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