O avanço do acordo entre o Mercosul e a União Europeia provocou reações distintas em setores ligados ao agro gaúcho. Para algumas cadeias produtivas, como a de lácteos e vinhos, a preocupação é minimizar eventuais perdas de mercado diante da concorrência com produtos importados. Outros segmentos, como os de proteína animal e grãos (soja, milho e arroz), vislumbram possibilidades de ampliar exportações.
O Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat) começa a elaborar um plano para evitar que itens como leite em pó, manteiga e queijo europeus reduzam ainda mais a comercialização de produtos gaúchos, afetada pela competição com Argentina e Uruguai. Das vendas no varejo, 8% são de itens provenientes dos dois países parceiros no Mercosul.
O tema está na pauta da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag/RS). Como o leite é uma das principais atividades da produção familiar, e o vinho tem conquistado espaço nas agroindústrias, a federação buscará apoio federal para reduzir custos de produção.
“A França, por exemplo, sinaliza que manterá os subsídios a seus produtores. Precisamos ter algum tipo de compensação para que não seja uma concorrência tão desigual”, defende o presidente da Fetag, Carlos Joel.
Nas exportações, a proposta inclui tarifas zeradas e de 7,5%, além de cotas que serão únicas para todos países do Mercosul. Assim, a participação brasileira dependerá também dos mercados abertos por outros países do bloco, alerta a diretora de relações internacionais da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sueme Andrade.
O acordo deve beneficiar segmentos como de carnes premium, avalia Mariana Tellechea, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Angus e Ultrablack. Aves e suínos brasileiros poderão ampliar espaços nas gôndolas de supermercados europeus, conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
O acordo estabelece uma cota para exportações de carne de frango de 180 mil toneladas com tarifa zero, para embarque à União Europeia. A cota será compartilhada pelos países do Mercosul. Também há cota para carne suína, no total de 25 mil toneladas, chegando a uma tarifa de 83 euros por tonelada ao final de seis anos.