Rural

Setor adota cautela sobre previsão de safra recorde de soja

Aprosoja RS aponta que falta de crédito comprometeu parte do plantio no Estado

Produtores do cereal torcem para que a precipitação dos próximos meses seja regular no RS
Produtores do cereal torcem para que a precipitação dos próximos meses seja regular no RS Foto : Leandro Mariani Mittmann / Especial / CP

Enquanto a Conab espera uma safra 2025/2026 recorde de soja no Rio Grande do Sul, o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja RS), Ireneu Orth, faz uma leitura mais conservadora do cenário. Ele avalia que o endividamento e a dificuldade de acesso a crédito comprometeu parte do plantio.

“Em relação àquilo que poderíamos colher, dificilmente nós vamos colher por causa destas situações. E algumas áreas não foram plantadas, muito poucas, mas não foram plantadas por falta de condições dos agricultores, especialmente na parte onde o problema do endividamento é um pouco maior, na Metade Sul do Estado”, explicou.

“Então, quanto à supersafra que a turma fala, é bem complicado.”

De acordo com ele, nem todos os produtores conseguiram contornar a falta de chuvas do início de dezembro. “Onde não tem irrigação, muita gente não conseguiu plantar com semente de ponta e nem com adubação. Então, daqui para frente, a torcida é de que continue a chover regularmente e isso precisa acontecer até março”, afirmou.

Orth informou que a falta de crédito prejudicou a aquisição de adubos. “A quantidade total de insumos utilizados este ano é bem menor do que nos anos anteriores”, declarou, destacando que, apesar do clima normal, as lavouras com pouca tecnologia, além de sementes não preparadas, “dificilmente vão poder produzir uma safra cheia”.

Semeadura

A projeção da Emater/RS-Ascar indica o cultivo de 6.742.236 hectares de soja até agora e produtividade média de 3.180 kg/ha. A semeadura avançou de forma consistente e está próxima da conclusão na maior parte do Estado, favorecida pela reposição da umidade do solo ao longo de dezembro.

A área semeada alcançou 92% e restam principalmente plantios em sucessão a outras culturas, após a colheita. De modo geral, o potencial produtivo das lavouras está mantido, condicionado à regularidade das chuvas ao longo das próximas fases fenológicas.

Foram intensificados os tratos culturais, especialmente o controle de plantas daninhas em pós-emergência e o início de aplicações preventivas de fungicidas, especialmente para a ferrugem-asiática, embora o monitoramento de esporos indique, até o momento, baixo risco de infecção.

O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, aumentou 0,74%, quando comparado à semana anterior, passando de R$ 126,38 para R$ 127,31.

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