Rural

Sinais de preços firmes para a soja

Variações da semana ocorreram dentro de faixas altas, que devem se manter nos próximos meses

Foto : Alina Souza

O salto dado pela cotação da soja na Bolsa de Chicago na quarta-feira, quando o valor do bushel atingiu 14,36 dólares, 70 centavos acima da cotação do dia anterior, teve reflexos no preço da saca da oleaginosa no Porto de Paranaguá e no Porto de Rio Grande. Tanto no terminal gaúcho quanto no paranaense, as cotações ultrapassaram os R$ 170,00 na quarta-feira e chegaram a R$ 175,00 no fechamento de ontem, mesmo que para negócios de curto prazo nos Estados Unidos tenham recuado para patamares próximos aos do início da semana.
O movimento de alta é consequência da divulgação de uma projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que revelou uma intenção de plantio de 35,4 milhões de hectares para a safra 2021/2022, 5% acima da área plantada na safra anterior, mas menor que a expectativa do mercado norte-americano, que apontava para a semeadura de 36,6 milhões de hectares. No mesmo comunicado, o USDA estimou o estoque trimestral do grão em 42,47 milhões de toneladas, o menor desde 2015.
A analista de grãos da Corretora Moeda da Terra, Franciele Linck, lembra que a Bolsa de Chicago é um referencial para a formação do preço da soja no mercado brasileiro. Segundo ela, é o momento de o produtor ficar atento à oscilação das cotações, que devem se manter num patamar alto. “Com essa projeção de área semeada e uma produtividade média de 50,8 bushels por acre, a produção total de soja nos Estados Unidos fica estimada em 119,8 milhões de toneladas, apenas 7 milhões de toneladas a mais que na safra anterior”, observa. Pelo menos até o mês de agosto, pontua a analista, o mercado vai acompanhar de perto as condições climáticas e de produtividade da safra norte-americana.
Mesmo com o avanço da colheita da soja no Brasil e uma maior oferta do grão, o professor de Economia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Nilson Costa, prevê preços para a comercialização da soja nacional estáveis e em patamares “robustos”. Ele afirma que a demanda segura pelo grão no mercado internacional, o câmbio com dólar acima dos R$ 5,00 e o produtor de soja capitalizado a ponto de poder esperar pelos melhores preços vão garantir a rentabilidade do sojicultor brasileiro. “Pode até ser que a entrada de um volume maior da safra pressione um pouco os preços para baixo, mas não há indicativo de queda acentuada”, complementa.

RIO GRANDE DO SUL. Nesta semana, a colheita da soja avançou de 10% para 27% da área cultivada no Rio Grande do Sul, que é de 6,07 milhões de hectares, segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar. A expectativa é que se confirme uma safra recorde, de 20,2 milhões de toneladas. O preço médio da saca de 60 quilos chegou a R$ 162,57 e supera os R$ 160,61 da semana passada e os R$ 158,80 do início de março, além de quase duplicar a cotação média histórica de abril, de R$ 82,23.