Foi dado nesta segunda-feira o primeiro passo para a montagem de um projeto para saneamento, capitalização e fomento das cooperativas agropecuárias gaúchas. O governador Tarso Genro assinou o decreto que institui o Grupo de Trabalho do Cooperativismo Gaúcho, que vai discutir as demandas do setor e criar um novo modelo visando qualificar e tornar mais competitivo o cooperativismo.
O grupo contará com a participação de integrantes de instituições públicas de crédito, do governo estadual e de entidades do setor e deve apresentar propostas em 60 dias. Segundo o secretário de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo, Ivar Pavan, a meta é fortalecer o segmento, "importantíssimo para a economia gaúcha". Segundo ele, as 201 cooperativas agropecuárias gaúchas faturam R$ 14 bilhões ao ano e responde por 60% da produção estadual de alimentos. Deste total, 80% estão nos ramos de grãos, leite e carnes.
A expectativa do presidente da Ocergs/RS, Vergilio Perius, é que a parceria impulsione o autal crescimento de 9% ao ano, tendo em vista o potencial de crescimento de até 20%. Levantamento setorial aponta que será necessário R$ 1,5 bilhão para capitalização, investimentos e destravamento de projetos represados em ações de curto, médio e longo prazo. “A primeira atitude é trabalharmos uma linha de crédito de capitalização”, disse Perius.
De acordo com o economista Tarcisio Mineto, consultor da Fecoagro, entre as possibilidades a serem discutidas estão a criação de um fundo de aval e um progama de revitalização nos moldes do Recoop, criado na década de 90 para garantir a recuperação, reestruturação da estrutura patrimonial e saneamento financeiro. Sem obrigatoriedade dos associados assinarem a proposta de crédito, as cooperativas enfrentavam menos restrições nos bancos.
A exigência de aval dos associados foi um dos motivos para o baixo acesso do Rio Grande do Sul ao Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias (Procap-Agro), operado pelo BNDES, e temporariamente suspenso por falta de recursos. Com dificuldades em apresentar garantias, as cooperativas gaúchas, esperançosas em absorver R$ 700 milhões dos R$ 2 bilhões liberados no país, conseguiram tomar R$ 200 milhões. “As cooperativas que realmente precisavam de recursos foram barradas", declarou Mineto.
Tarso Genro assina decreto que institui grupo de trabalho do Cooperativismo Gaúcho
Grupo vai discutir as demandas do setor e deve apresentar propostas em 60 dias
