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Tensões entre EUA e Irã podem elevar custos e afetar o agronegócio brasileiro

Farsul fez análise do cenário e ressaltou a sensibilidade do Brasil aos preços de combustíveis e fertilizantes

Conflito pode prejudicar logística e setor de energia
Conflito pode prejudicar logística e setor de energia Foto : Sepah News / AFP / CP

O agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã pode pressionar custos de energia, seguros e fretes, com repercussões sobre o comércio internacional, conforme análise preliminar da Farsul, divulgada nesta quinta-feira (19). “Dada a elevada sensibilidade do Brasil a preços de combustíveis e fertilizantes e à dinâmica logística do comércio global, há potencial de impactos relevantes para o agronegócio brasileiro”, diz o texto.

A entidade ressalta que o Irã tem grande importância para o agronegócio brasileiro. Em 2025, foi o segundo principal destino do setor em volume, com 11,5 milhões de toneladas. Já em valor exportado, foi o 15º maior cliente do agronegócio brasileiro, com US$ 2,9 bilhões em produtos embarcados para este mercado.

Os principais produtos exportados foram:

  • Milho com US$ 1,984 bilhão (9 milhões de toneladas) dos seguintes estados; MT (3 milhões tons), PR (2,7 milhões tons), GO (1,3m tons), MS (569 mil tons) e SP (357 mil tons), entre outros.
  • Soja em grãos com US$ 563 milhões (1,3m toneladas) dos seguintes estados; MT (263mil tons) GO (257 mil tons) SP (154 mil tons), MG (153 mil tons), PR (142 mil tons) e RS (141 mil tons), entre outros.
  • Açúcar com US$ 189 milhões (499 mil tons) dos seguintes estados; PR (260 mil tons), SP (198 mil tons) e MS (40 mil tons).
  • Farelo de Soja com US$ 182 milhões (581 mil tons) dos seguintes estados; RS (259 mil tons), PR (183 mil tons), MT (75 mil tons), SP (53 mil tons), entre outros.

Fertilizantes

Outro ponto de atenção é a questão dos fertilizantes, conforme o documento da Farsul. O Brasil importa US$ 3 bilhões (7,7 milhões de toneladas) de ureia do mundo, sendo US$ 66 milhões (184 mil toneladas) de ureia do Irã, o que coloca o país como 10º principal fornecedor deste produto para o Brasil. “Isso significa que a participação do Irã é de apenas 2,2% no valor e de 2,4% no volume, o que pode parecer pouco, mas esta é uma linha de raciocínio perigosa para o planejamento dos nossos produtores já que a região como um todo é um grande produtor e exportador de fertilizantes, e uma disrupção regional tende a impactar fortemente o mercado global.”

Logística e energia

A região se articula com outros chokepoints (especialmente Bab el-Mandeb/Mar Vermelho/Suez), que conectam Ásia e Europa. Com o agravamento do conflito, as distâncias poderão ser maiores, assim como o tempo de viagem. Isso pressiona custos de transporte, estoques em trânsito, prazos de entrega e a volatilidade de fretes.

Outra questão é que o Irã está inserido no principal corredor energético do planeta e, mesmo que não haja interrupção física, o aumento de tensão eleva prêmio de risco, seguro, fretes e preços de energia, com transmissão rápida para custos industriais e inflação.

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