Saúde

Deficiência de vitamina D na gestação contribui para depressão pós-parto

A conclusão da pesquisa realizada pela UCPel foi publicada na revista internacional Nutrients

A pesquisa "Deficiência de vitamina D durante a gravidez está associada à depressão pós-parto: um estudo de coorte no sul do Brasil", realizada Programa de Pós Graduação em Saúde e Comportamento (PPGSC), da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), foi publicada na revista internacional Nutrients. Este estudo integra um maior que começou no ano de 2016 e vem acompanhando mulheres, desde a gestação.

A pesquisa é financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates. "Conforme vamos conseguindo recursos seguimos com as análises deste grupo", pondera o coordenador do Programa e professor Adriano de Assis.

Ele conta que o estudo sobre a deficiência de vitamina D surgiu a partir da tese de um aluno. "Tivemos um primeiro artigo publicado na mesma revista e avaliamos na literatura a relação de deficiência de vitamina D e depressão pós- parto e surgiu a ideia de buscar nos estudos se existia esta relação na população de Pelotas", relata.

A vitamina D é um hormônio que está relacionado com a exposição solar. "Como na nossa cidade temos um inverno rigoroso, tínhamos esta hipótese, que a deficiência seria uma das causas da depressão. Não podemos dizer que é o principal, mas tem contribuição importante", pondera.

Além da falta de vitamina D, há fatores já conhecidos como depressão prévia, idade, classe econômica. "Estamos colocando mais um fator biológico na equação que deve ser levado em conta. Fizemos isto, para que o sistema público de saúde tenha um olhar mais atento para a questão da vitamina D", justifica.

Muitas pessoas têm medo de uma grande exposição solar, mas segundo o professor deve haver um equilíbrio. Para a pesquisa foram entrevistadas 713 mulheres, em uma mostra que representa a população do Sul do Estado. "Usamos um questionário com pontuação e por meio de outros estudos nos dá a certeza do quadro de depressão e a análise sanguínea das mulheres apontou a falta de vitamina D", relata.

Segundo Assis, os resultados mostraram que mulheres com deficiência de vitamina D (menos de 19,9 ng/mL) apresentaram o dobro de chance de desenvolver depressão pós-parto. Fatores como baixa condição socioeconômica, idade materna maior que 24 anos e depressão durante a gestação também aumentaram o risco.

"Os resultados reforçam que a depressão pós-parto é um fenômeno multifatorial, envolvendo fatores biológicos, sociais e emocionais. Identificar marcadores acessíveis, como a vitamina D, pode apoiar estratégias de prevenção e cuidado no pré-natal, especialmente em populações vulneráveis", conclui.

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