Saúde

Residentes do HU de Canoas paralisam atividades e ASM diz que instituição não tem credenciamento do MEC

ASM garante que sem o aporte de recursos mínimos dos órgãos gestores da qualificação de ensino médico, a residência médica se torna inviável

Hoje o HU se mantém pelo custeio do município de Canoas, conforme o plano operativo e mediante contrato
Hoje o HU se mantém pelo custeio do município de Canoas, conforme o plano operativo e mediante contrato Foto : Fernanda Bassôa / Especial CP

Os médicos residentes do Hospital Universitário (HU), de Canoas, paralisaram os atendimentos nesta quinta-feira em decorrência da falta de preceptores com especialização adequada e anestesistas, o que estaria causando prejuízos para a formação. Atualmente, o número de residentes varia entre 80 e 100. Do total, 12 residentes são mantidos por bolsa, que gera um custo de R$ 50 mil por mês para o hospital. Integrantes da Comissão Nacional de Ensino realizam uma vistoria técnica na instituição ao longo desta quinta-feira.

A superintendente do HU de Canoas, Tatiani Pacheco, junto à Associação Saúde e Movimento (ASM), que assumiu a equipe diretiva na semana passada, esclarece que, apesar de ter uma longa história e trajetória como uma instituição voltada ao ensino e à qualificação médica, hoje o HU não é um hospital-escola credenciado junto ao Ministério da Educação.

"A unidade hospitalar não recebe nenhum recurso, quer da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), quer do Ministério da Educação. O cenário que nós temos é que os residentes hoje utilizam a estrutura da unidade hospitalar para fazer as suas práticas, utilizam os nossos materiais médicos, a estrutura e nossos insumos. É a ASM que arca com esses custos para manter esses programas. Hoje, literalmente a ASM paga para ter os residentes sem nenhuma contrapartida."

De acordo com Tatiani, a ASM tem trabalhado para que o Hospital Universitário retome a condição de hospital-escola e com isso receba aporte de recursos para possibilitar a efetividade da residência. "O hospital vive uma crise financeira muito grande, como toda a saúde do estado. Sem o aporte desses recursos mínimos dos órgãos gestores da qualificação de ensino médico, a residência médica se torna inviável."

Paralelamente a isso, explica a superintendente, existe hoje um corpo de residência que não segue minimamente os procedimentos operacionais padrões do hospital. "Exigem, muitas vezes, materiais médicos que estão além do nosso alcance financeiro, sob pena de não realizarem procedimentos. Então, há um desvio do objetivo da qualificação." Tatiani garante que vai acatar a decisão do Conselho Nacional de Ensino, caso opte pela manutenção das residências.

"Nós somos favoráveis ao hospital-ensino, mas desde que nós tenhamos o aporte dos órgãos responsáveis, pois existe um custo operacional expressivo que varia conforme os procedimentos. Ele representa mais de 5% do plano operativo."

Por fim, a superintendente destaca que hoje o hospital se mantém pelo custeio do município de Canoas conforme o plano operativo e mediante contrato. "Não há hoje outras fontes de recurso. Além disso, esse movimento não beneficia a saúde como um todo. Nós devemos estar unidos para conseguir qualificar o hospital universitário enquanto instituição escola. Se toda essa energia fosse focada para ingresso de recursos, esses problemas pontuais estariam resolvidos."

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