Moradores do bairro Mathias Velho, em Canoas, uma das localidades que por mais tempo permaneceu submersa durante a maior tragédia climática vivida pelos gaúchos, entre abril e maio de 2024, realizaram um protesto cobrando mais agilidade no cronograma das obras de contenção das cheias e transparência do poder público. A manifestação aconteceu em frente a Casa de Bombas número 6 e reuniu centenas de famílias afetadas pelas enxurradas de dois anos atrás que ainda tentam se recuperar do trauma e do sofrimento.
A preocupação dos moradores recai justamente sobre as obras do dique da Mathias Velho. "A mobilização surge diante do sentimento de insegurança que tem afetado os moradores da região. Nosso objetivo é chamar a atenção das autoridades e da sociedade para as dificuldades enfrentadas, buscando mais segurança, respeito e visibilidade para quem mora no Mathias Velho", disse Josiane Marchese.
Fabiola Silva, que ainda contabiliza as perdas de 2024, diz que os moradores clamam por mais celeridades nas intervenções do bairro tendo em vista a nova previsão de chuvas fortes com a chegada do El Ninõ. "Estamos todos muito apreensivos, para não dizer em estado de pânico. A comunidade anseia por menos morosidade no trabalho pois, se um grande volume de chuva cair em pouco tempo, o dique não vai suportar e nossas casas serão alagadas novamente. Estamos à mercê da sorte."
Segundo Fabíola, desde aquela época muitos vizinhos ainda não retornaram para as moradias. "Há muitas propriedades abandonadas. As pessoas não sentem segurança em retornar para o mesmo local onde vivenciaram o horror. Queremos saber sobre o andamento das obras, ter prazos, entender o que ainda deve ser feito e quando será. Queremos mais clareza da prefeitura e informação."
Carmem Correia dos Reis, que ficou por 33 dias for a de casa após a residência ter sido invadida pelas enxurradas, comenta que além da clareza do cronograma de obras do dique, ela ainda protesta contra a falta de ações de hidrojateamento no bairro. "Na chuva registrada no último dia 18 de março minha casa voltou a alargar e novamente perdi meu guarda-roupas para a água. Os bueiros estão todos entupidos e a rede pluvial não comporta o alto volume de chuva. Precisamos de mais ações em benefício da comunidade e medidas mais eficazes." Carmem questiona o Executivo sobre um plano de ação, caso novos eventos climáticos extremos venham atingir Canoas.
"As pessoas perderam móveis, casas, animais e lembranças de uma vida toda. Sobrou apenas a esperança para recomeçar. Não queremos passar novamente por aquele pânico. Estamos pedindo socorro e que o poder público olhe para nosso bairro com mais atenção."
A prefeitura de Canoas foi procurada para explicar o cronograma de obras do dique, mas até o momento não se manifestou.
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