Cidades

Projeto distribui mais de 700 refeições mensais para aquecer moradores em situação de rua, em Esteio e Sapucaia

Feijoada foi entregue, junto com cobertores e café, por jovens voluntários que formam o projeto independente Baseado em Amor, grupo criado em 2019

Em épocas de baixas temperaturas o grupo entrega a refeição junto com um agasalho ou um calçado
Em épocas de baixas temperaturas o grupo entrega a refeição junto com um agasalho ou um calçado Foto : Fernanda Bassôa/ Especial CP

Ao menos 250 marmitas quentinhas, com feijão, arroz, couve, carne de porco e farofa, foram distribuídas na noite de domingo aos moradores que vivem em situação de rua, entre as cidades de Esteio e Sapucaia do Sul. A feijoada foi entregue, juntamente com cobertores e café com leite, por jovens voluntários que formam o projeto independente Baseado em Amor, um grupo que existe desde 2019, e de lá para cá tem intensificado cada vez mais a distribuição de sopas e marmitas, e promovido campanhas de arrecadação de agasalhos e ração para cães comunitários.

Bruna Pochmann, a principal idealizadora das atividades e estudante do curso de Serviço Social, diz que as ações acontecem semanalmente e o grupo chega a entregar até 700 refeições. "Desde o primeiro sopão, feito em junho de 2019, no bairro Novo Esteio, seguimos com a proposta, atuando duas vezes na semana. Inclusive durante a pandemia, mas cozinhávamos em número reduzido. Na enchente, tocamos a cozinha servindo quase 2 mil refeições por dia." Ela lembra que há 7 anos, quando fez o primeiro Sopão Solidário, era para ser uma ação única.

"Daquele dia em adiante percebi quanta gente dormia com fome, sem acesso ao direito à moradia e alimentação. Não era apenas vontade de ajudar, era uma obrigação. Percebi que estava envolvida em uma responsabilidade gigantesca. Hoje somos o projeto Baseado em Amor, não somos caridade, somos um projeto de resistência. Entregamos as marmitas e tratamos as pessoas de forma digna. Estamos em locais onde as pessoas estão vulneráveis, passando fome, e são negligenciadas pelo Estado e se sentem desassistidas."

A estudante do Serviço Social diz que comida é afeto, é amor e cuidado. "Mas a gente se identifica muito mais como luta, como resistência. Por vezes, somos movidos pela revolta, por não aceitar que as pessoas passem fome ou que morram de frio." Bruna diz que os voluntários que auxiliam no projeto e na logística para fazer a ação acontecer, nem sempre são os mesmos. "Há bastante rotatividade. O único fixo é meu pai, que usa o carro para fazer as entregas e já sabe quaissão os locais onde há mais demanda. O pessoal já conhece o automóvel Prisma chumbo, chamam de O carro da Bóia."

Geralmente, e especialmente, em épocas de baixas temperaturas o grupo entrega a refeição junto com um agasalho ou um calçado, mas o projeto ainda tem muita dificuldade em arrecadar roupas masculinas e sobrevive de doações. Sobre o envolvimento com a causa animal, Bruna explica que "não tem como se envolver com a causa animal sem cuidar das pessoas. A vulnerabilidade social e a questão dos animais são muito unidas", comenta, destacando que o projeto tem 28 cães sob sua responsabilidade.

Para contribuir com a compra de alimentos, cobertores e mantimentos, fazendo aumentar a produtividade das ações para que o projeto chegue ainda mais longe, impactando mais pessoas, a chave pix é baseadoemamoresteio@gmail.com

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