A Universidade de Passo Fundo (UPF) inaugurou a ampliação do UPF Parque e lançou oficialmente o Passo Fundo Valley, o novo distrito de inovação da região Norte do Rio Grande do Sul. Com investimento de R$ 13 milhões, o polo tem como objetivo colocar a cidade e a região no mapa nacional de grandes ecossistemas de inovação universitária.
De acordo com a UPF, o Passo Fundo Valley conta com um modelo inédito de operação, onde até 75% do aluguel pago pelas empresas do complexo serão convertidos em investimento em pesquisa aplicada para inovação desenvolvida pela universidade. O complexo conta, ao todo, com 10 hectares de área e oferta 36 lotes para indústrias de base tecnológica instalarem suas próprias unidades de pesquisa e desenvolvimento. Quatro desses lotes já possuem protocolos de intenções assinados com as empresas Semiocrop, Stara, Tertris e grupo Foto Sul.
Dos R$ 13 milhões investidos, R$ 10 milhões foram captados via edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e outros R$ 3 milhões são oriundos de contrapartida da Fundação Universidade de Passo Fundo (FUPF). Com a inauguração, a UPF amplia a infraestrutura da universidade dedicada à inovação, passando de 4 mil m² para mais de 7 mil m² em ecossistema de desenvolvimento de tecnologia.
A reitora da UPF, Bernadete Dalmolin, destacou que o papel do Valley está diretamente relacionado com o fomento de tecnologia e conhecimento, onde as universidades que se diferenciam são as que promovem a ciência. Para ela, a criação do ecossistema de inovação ajudará no desenvolvimento de soluções que atendam as prioridades estratégicas da região e do país, principalmente relacionados com o agronegócio, saúde, bioeconomia e transformação digital.
"Para nós, faz todo sentido essa aproximação entre empresas e universidade, pois é um processo onde todos ganham. O objetivo não é apenas alugar terrenos, mas gerar e fixar talentos na região. O futuro tecnológico não cabe em poucas metrópoles. Ele se constrói também nas cidades médias do interior, onde a universidade é a principal infraestrutura de pesquisa e a relação com a comunidade é direta. A universidade se desenvolve na integração. E precisamos, a partir disso, acelerar aquilo que é importante para o desenvolvimento econômico e social do país", afirmou a reitora.
O prefeito de Passo Fundo, Pedro Almeida, destacou a criação, nos últimos anos, de arcabouços legais que apoiam o investimento em inovação no município. "A cidade vive um grande momento econômico, muito ligado a setores como agronegócio, saúde, energia, educação, ciência e tecnologia", apontou. “Passo Fundo tem aqui a oportunidade de mostrar que o interior também pode dar exemplo e que também pode colaborar para que o Estado e que as regiões se desenvolvam ainda mais”, completou Ricardo Fantinelli, gestor do UPF Parque.
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“Temos que ajudar a potencializar as universidades”
Cristiano Paim Buss, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Stara, uma das empresas interessadas em se instalar no Valley, destacou que a decisão ocorreu também pelo entendimento sobre a necessidade de investir na educação superior para potencializar as universidades e permitir que mais talentos sejam colocados no mercado de trabalho. Atualmente, a empresa possui um escritório no UPF Parque com 28 alunos que atuam em laboratório e criam projetos aplicados pela indústria.
“Cerca de 30% do nosso Centro de Pesquisa e Desenvolvimento lá na fábrica sai dessa sala aqui na UPF. São alunos que foram formando suas carreiras e hoje estão dentro da indústria, criando tecnologia e produtos. As empresas não podem se servir das universidades. Elas precisam servir as universidades. Temos que ajudar a potencializar a universidade, para elas atraírem mais alunos que depois vão criar tecnologia e vão criar inovação. Isso volta para a sociedade em forma de receita, em forma de negócio”, contou.
Contrapartidas
A instalação de uma empresa no Passo Fundo Valley permite o acesso a mais de 210 laboratórios especializados compartilhados, eliminando a necessidade da construção de estruturas próprias para ensaios e laudo regulatórios. Em 2025, a interação entre pesquisa acadêmica e o mercado resultou em mais de R$ 4 milhões em negócios na UPF.
Com a ampliação do UPF Parque, o complexo contará ainda com novas salas corporativas, laboratórios avançados, arena para eventos, uma nova incubadora de startups e espaços colaborativos e de coworking. O UPF Parque foi o primeiro do interior do estado classificado pelo Sebrae como ecossistema de inovação em estágio "consolidado", distinguido também pelo Selo Ouro de Inovação.