Ensino

UPF lança complexo para colocar região no mapa nacional de grandes ecossistemas de inovação universitária

Com investimento de R$ 13 milhões, Passo Fundo Valley possui modelo que transforma aluguel de empresas em pesquisa aplicada para inovação

Autoridades participaram de lançamento do Passo Fundo Valley, no campus da UPF
Autoridades participaram de lançamento do Passo Fundo Valley, no campus da UPF Foto : Rodrigo Thiel / Especial / CP

A Universidade de Passo Fundo (UPF) inaugurou a ampliação do UPF Parque e lançou oficialmente o Passo Fundo Valley, o novo distrito de inovação da região Norte do Rio Grande do Sul. Com investimento de R$ 13 milhões, o polo tem como objetivo colocar a cidade e a região no mapa nacional de grandes ecossistemas de inovação universitária.

De acordo com a UPF, o Passo Fundo Valley conta com um modelo inédito de operação, onde até 75% do aluguel pago pelas empresas do complexo serão convertidos em investimento em pesquisa aplicada para inovação desenvolvida pela universidade. O complexo conta, ao todo, com 10 hectares de área e oferta 36 lotes para indústrias de base tecnológica instalarem suas próprias unidades de pesquisa e desenvolvimento. Quatro desses lotes já possuem protocolos de intenções assinados com as empresas Semiocrop, Stara, Tertris e grupo Foto Sul.

Dos R$ 13 milhões investidos, R$ 10 milhões foram captados via edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e outros R$ 3 milhões são oriundos de contrapartida da Fundação Universidade de Passo Fundo (FUPF). Com a inauguração, a UPF amplia a infraestrutura da universidade dedicada à inovação, passando de 4 mil m² para mais de 7 mil m² em ecossistema de desenvolvimento de tecnologia.

A reitora da UPF, Bernadete Dalmolin, destacou que o papel do Valley está diretamente relacionado com o fomento de tecnologia e conhecimento, onde as universidades que se diferenciam são as que promovem a ciência. Para ela, a criação do ecossistema de inovação ajudará no desenvolvimento de soluções que atendam as prioridades estratégicas da região e do país, principalmente relacionados com o agronegócio, saúde, bioeconomia e transformação digital.

"Para nós, faz todo sentido essa aproximação entre empresas e universidade, pois é um processo onde todos ganham. O objetivo não é apenas alugar terrenos, mas gerar e fixar talentos na região. O futuro tecnológico não cabe em poucas metrópoles. Ele se constrói também nas cidades médias do interior, onde a universidade é a principal infraestrutura de pesquisa e a relação com a comunidade é direta. A universidade se desenvolve na integração. E precisamos, a partir disso, acelerar aquilo que é importante para o desenvolvimento econômico e social do país", afirmou a reitora.

O prefeito de Passo Fundo, Pedro Almeida, destacou a criação, nos últimos anos, de arcabouços legais que apoiam o investimento em inovação no município. "A cidade vive um grande momento econômico, muito ligado a setores como agronegócio, saúde, energia, educação, ciência e tecnologia", apontou. “Passo Fundo tem aqui a oportunidade de mostrar que o interior também pode dar exemplo e que também pode colaborar para que o Estado e que as regiões se desenvolvam ainda mais”, completou Ricardo Fantinelli, gestor do UPF Parque.

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“Temos que ajudar a potencializar as universidades”

Cristiano Paim Buss, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Stara, uma das empresas interessadas em se instalar no Valley, destacou que a decisão ocorreu também pelo entendimento sobre a necessidade de investir na educação superior para potencializar as universidades e permitir que mais talentos sejam colocados no mercado de trabalho. Atualmente, a empresa possui um escritório no UPF Parque com 28 alunos que atuam em laboratório e criam projetos aplicados pela indústria.

“Cerca de 30% do nosso Centro de Pesquisa e Desenvolvimento lá na fábrica sai dessa sala aqui na UPF. São alunos que foram formando suas carreiras e hoje estão dentro da indústria, criando tecnologia e produtos. As empresas não podem se servir das universidades. Elas precisam servir as universidades. Temos que ajudar a potencializar a universidade, para elas atraírem mais alunos que depois vão criar tecnologia e vão criar inovação. Isso volta para a sociedade em forma de receita, em forma de negócio”, contou.

Contrapartidas

A instalação de uma empresa no Passo Fundo Valley permite o acesso a mais de 210 laboratórios especializados compartilhados, eliminando a necessidade da construção de estruturas próprias para ensaios e laudo regulatórios. Em 2025, a interação entre pesquisa acadêmica e o mercado resultou em mais de R$ 4 milhões em negócios na UPF.

Com a ampliação do UPF Parque, o complexo contará ainda com novas salas corporativas, laboratórios avançados, arena para eventos, uma nova incubadora de startups e espaços colaborativos e de coworking. O UPF Parque foi o primeiro do interior do estado classificado pelo Sebrae como ecossistema de inovação em estágio "consolidado", distinguido também pelo Selo Ouro de Inovação.

Ecossistema de inovação fica dentro do campos da UPF, em Passo Fundo | Foto: UPF / Divulgação / CP