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Ministério Público do Paraguai denuncia e pede prisão de ex-presidente por crise bancária

Santiago Peña é acusado de “lesão de confiança e administração em proveito próprio”, segundo a procuradora Nancy Salomón

O Ministério Público pediu, ainda, a prisão preventiva e a inabilitação de bens para Peña e o ex-presidente do Banco Central paraguaio Carlos Carvallo
O Ministério Público pediu, ainda, a prisão preventiva e a inabilitação de bens para Peña e o ex-presidente do Banco Central paraguaio Carlos Carvallo Foto : Attorney General of Paraguay / AFP / CP

O Ministério Público do Paraguai denunciou, neste sábado (7), o ex-presidente Santiago Peña, e pediu sua prisão preventiva por sua suposta responsabilidade em uma crise bancária que afeta metade da população do país e que levou à sua destituição em meio a protestos maciços dos correntistas.

Peña foi interrogado na Procuradoria Geral em Assunção, onde permaneceu por cerca de três horas. Após o anúncio da denúncia, o Ministério Público informou que ele já tinha se retirado do recinto, mas não especificou para onde foi trasladado.

Acusação formal contra ex-presidente Peña

Os fatos passíveis de punição são "lesão de confiança e administração em proveito próprio", disse, durante uma coletiva de imprensa, a procuradora Nancy Salomón.

"Queremos ver preso o responsável por esta desgraça. Prisão para Peña!", disse à AFP Macarena Chilavert, uma advogada de 33 anos, nas imediações da Procuradoria, enquanto Peña depunha.

Peña passou a noite sob custódia no Regimento Escolta Presidencial, depois de ser retirado de sua residência, em frente da qual manifestantes exigiam que fosse mandado para um presídio comum.

Leila Cosini, uma estudante de 28 anos, que estava perto da Procuradoria enquanto Peña prestava depoimento, disse estar ansiosa e preocupada com o futuro de seus depósitos. "Perdi meu dinheiro. Eu o estava colocando ali justamente porque havia uma facilidade para abrir uma conta", destacou.

Prisão preventiva e bloqueio de bens

A Procuradoria pediu a prisão preventiva e o bloqueio de bens para Peña e para o ex-presidente do Banco Central (BCP) Carlos Carvallo, acusado dos mesmos crimes que o ex-presidente, além de produção de documentos públicos falsos.

Carvallo se encontra na sede judicial para ser interrogado durante a tarde.

Milhões sem acesso a depósitos

A crise eclodiu em 3 de novembro, quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank por problemas de solvência, deixando milhões de clientes sem acesso a seus depósitos.

O Ministério Público apontou que "entre os anos de 2023 e 2026, o Ueno Bank S.A. teria recebido depósitos e aplicações provenientes de entidades públicas e previdenciárias" e, ao mesmo tempo, "teria concedido créditos a sociedades vinculadas ao grupo econômico da entidade bancária de forma irregular", segundo a ata de acusação à qual a AFP teve acesso.

Peña, um economista de 47 anos, teve até 2025 ações da Ueno Holding, entidade que controlava o banco, que operava como tal desde 2023.

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Carvallo havia presidido o Ueno antes de assumir a presidência do Banco Central em 2023, cargo que ocupou até a última quarta-feira.

A crise do Ueno Bank afeta diretamente quase três milhões de contas que abrangem de pensionistas, empresas públicas e privadas à própria Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).

A medida de intervenção no banco provocou fortes protestos nas ruas, que foram reprimidos pela polícia com jatos d"água e bombas de gás lacrimogêneo.

Peña, do Partido Colorado (conservador), foi preso na sexta-feira em sua residência em Assunção menos de uma hora depois de ter sido destituído em um acelerado julgamento político no Senado, após os legisladores não aceitarem sua renúncia, que lhe teria garantido o foro privilegiado.

Paralelamente, o até ontem vice-presidente Pedro Alliana, do mesmo partido de Peña, iniciou neste sábado seu primeiro dia completo como presidente, com a atenção voltada para a resposta de seu governo ao colapso bancário que precipitou a queda de seu antecessor.

Governo promete compensar afetados

Após assumir o cargo, Alliana prometeu que os afetados pelo "descalabro financeiro" serão compensados e determinou prioridade para os correntistas de menor renda.

Alliana, de 52 anos, deverá completar o mandato presidencial até agosto de 2028.

O mandatário informou, neste sábado, que já foram feitos pagamentos para 1.196.000 contas por um montante equivalente a cerca de 160 milhões de dólares (R$ 880 milhões, na cotação atual).

"Também garantimos o pagamento de salários e do décimo terceiro a todos os aposentados do (instituto de previdência social) IPS", informou no X.

O Banco Central divulgou uma lista de entidades bancárias que estarão abertas durante o fim de semana e afirmou que já foram devolvidos depósitos para "mais de 50%" dos correntistas afetados.

A destituição presidencial tem precedentes no Paraguai. Em 2012, o Senado afastou o presidente de esquerda Fernando Lugo por "mau desempenho de suas funções".