Três acusados pelos homicídios da estudante de Arquitetura Sarah Silva Domingues, 28 anos, e do comerciante Valdir dos Santos Pereira, 53 anos, irão a júri na próxima quinta-feira, 17 de setembro, no Foro Central de Porto Alegre. As vítimas foram mortas a tiros em 23 de janeiro de 2024, na Ilha das Flores, em Porto Alegre.
Conforme o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Valdir era o alvo da ação criminosa por se opor à atuação do tráfico de drogas na comunidade onde vivia. Sarah não era alvo e foi morta pois estava no local realizando entrevistas para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) quando foi atingida pelos disparos que foram efetuados de forma indiscriminada.
O caso ganhou repercussão pela circunstância em que as vítimas foram mortas. Sarah pesquisava a realidade da Ilha das Flores e buscava, por meio do trabalho, compreender as necessidades da comunidade. Já Valdir se posicionava contra a atuação do crime organizado, pois não queria que o tráfico tomasse conta da comunidade onde residia.
Sarah também participava de movimentos sociais, sendo tida por pares como uma das principais lideranças estudantis de Porto Alegre. Ela foi diretora da União Nacional dos Estudantes (Une), do Diretório Central dos Estudantes da Ufrgs, do Diretório Acadêmico da Arquitetura e membro do Conselho Universitário da Ufrgs.
Após sua morte, estudantes realizaram protestos e homenagens, incluindo uma faixa instalada na Faculdade de Arquitetura da UFRGS, onde foi realizado o velório dela. Em homenagem à estudante, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) também batizou uma ocupação na Capital com o nome de Sarah Domingues.
Relembre o caso
Segundo a investigação, os acusados passaram em uma motocicleta pela rua do Pescador, na Ilha das Flores, onde Valdir tinha um mercado, e efetuaram os disparos contra as vítimas. Câmeras de monitoramento atestam que o ataque foi cometido em 20 segundos e foram disparados pelo menos 18 tiros de pistola calibre nove milímetros, de uso restrito.
Inicialmente, quatro pessoas foram denunciadas pelos homicídios qualificados por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa das vítimas, com utilização de arma de fogo de uso restrito. Entre os denunciados estavam o apontado como mandante do crime, a irmã dele, que teria intermediado a comunicação para a execução da ação criminosa, e outros dois envolvidos.
Posteriormente, a mulher foi impronunciada pela Justiça. Com isso, apenas três dos denunciados serão julgados nesta quinta-feira. A denúncia foi elaborada pela promotora de Justiça Lúcia Helena Callegari, que atuará na acusação ao lado do promotor Octavio Cordeiro Noronha.