Política

Agenda do STF: Marco Civil da Internet está na pauta da semana

Discussão sobre o Cide, contribuição que envolve recursos enviados ao exterior, também será debatida na Corte

Agenda do STF: Marco Civil da Internet está na pauta da semana
Agenda do STF: Marco Civil da Internet está na pauta da semana Foto : Antonio Augusto/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve retomar na quarta-feira, 4, um dos julgamentos mais aguardados do ano, sobre a responsabilidade das redes sociais por conteúdos publicados pelos usuários. Também está prevista a continuidade da discussão sobre a influência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre o envio de recursos ao exterior, que tem um impacto estimado em R$ 19,6 bilhões para os cofres públicos.

Já no plenário virtual que começou na última sexta-feira, 30, os ministros analisaram a decisão do ministro Flávio Dino que restabeleceu uma norma do Mato Grosso que busca desincentivar a adesão à moratória da soja.

Plenário físico

- Marco Civil da Internet - O julgamento que discute a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet voltou à pauta do Supremo após o ministro André Mendonça, que havia pedido vista em dezembro, liberar o caso para análise dos colegas. O artigo em questão isenta as plataformas de responsabilidade por conteúdos publicados por terceiros.

No regime atual, as redes sociais apenas respondem por danos causados ​​pelas mensagens caso descumpram uma ordem judicial de remoção. Há duas abordagens: violação aos direitos autorais e divulgação de fotos íntimas sem consentimento.

Antes do julgamento ser suspenso, já foram proferidos três votos: dois para cancelar o artigo 19 e um para manter o dispositivo, mas ampliando as abordagens à regra. A expectativa é que a maioria dos ministros deva votar para aumentar as possibilidades de prosperidade às redes sociais e obrigar as empresas a adotarem mais proatividade na remoção de conteúdos ilícitos.

Veja Também

- Cide sobre remessas ao exterior - Na semana passada, dois ministros já votaram para declarar a constitucionalidade da Cide sobre remessas ao exterior, mas houve divergências sobre o alcance da cobrança. A análise pode ser retomada nesta semana.

Enquanto o relator, Luiz Fux, votou para restrições a tributação a contratos que tenham relação com elaboração de tecnologia, o ministro Flávio Dino defendeu que a cobrança pode abranger serviços técnicos ou administrativos.

O caso é um dos mais relevantes para a União do ponto de vista fiscal. A Receita Federal estima um impacto de R$ 19,6 bilhões para os cofres públicos caso seja obrigada a devolver os valores cobrados nos últimos cinco anos, e mais R$ 4 bilhões ao ano em relação ao futuro.

Plenário virtual

- Moratória da soja - Os ministros analisaram se confirmaram uma decisão do ministro Flávio Dino de que restabeleceu os efeitos de uma lei do Mato Grosso que proíbe incentivos fiscais e concessão de terrenos públicos a empresas signatárias da moratória da soja e outros acordos que visam limitar a expansão agropecuária.

Em dezembro de 2024, Dino havia suspendido a lei a pedido do PCdoB, PSOL, PV e Rede Sustentabilidade. Após uma liminar ser questionada pelo governo estadual e pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o ministro reconsiderou a decisão e restabeleceu os efeitos da lei, mas somente a partir de 1º de janeiro de 2026.

Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes votou para confirmar a decisão de Dino. A análise termina nesta sexta, 6, se não for suspensa por pedido de vista ou destaque.