O Supremo Tribunal Federal (STF) deve retomar na quarta-feira, 4, um dos julgamentos mais aguardados do ano, sobre a responsabilidade das redes sociais por conteúdos publicados pelos usuários. Também está prevista a continuidade da discussão sobre a influência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre o envio de recursos ao exterior, que tem um impacto estimado em R$ 19,6 bilhões para os cofres públicos.
Já no plenário virtual que começou na última sexta-feira, 30, os ministros analisaram a decisão do ministro Flávio Dino que restabeleceu uma norma do Mato Grosso que busca desincentivar a adesão à moratória da soja.
Plenário físico
- Marco Civil da Internet - O julgamento que discute a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet voltou à pauta do Supremo após o ministro André Mendonça, que havia pedido vista em dezembro, liberar o caso para análise dos colegas. O artigo em questão isenta as plataformas de responsabilidade por conteúdos publicados por terceiros.
No regime atual, as redes sociais apenas respondem por danos causados pelas mensagens caso descumpram uma ordem judicial de remoção. Há duas abordagens: violação aos direitos autorais e divulgação de fotos íntimas sem consentimento.
Antes do julgamento ser suspenso, já foram proferidos três votos: dois para cancelar o artigo 19 e um para manter o dispositivo, mas ampliando as abordagens à regra. A expectativa é que a maioria dos ministros deva votar para aumentar as possibilidades de prosperidade às redes sociais e obrigar as empresas a adotarem mais proatividade na remoção de conteúdos ilícitos.
- Advogada é presa enquanto tentava entregar cocaína a detento na Penitenciária de Montenegro
- Sul-Americana: Definido adversário do Grêmio se avançar para as oitavas
- Vulcão Etna entra em erupção na Itália
- Cide sobre remessas ao exterior - Na semana passada, dois ministros já votaram para declarar a constitucionalidade da Cide sobre remessas ao exterior, mas houve divergências sobre o alcance da cobrança. A análise pode ser retomada nesta semana.
Enquanto o relator, Luiz Fux, votou para restrições a tributação a contratos que tenham relação com elaboração de tecnologia, o ministro Flávio Dino defendeu que a cobrança pode abranger serviços técnicos ou administrativos.
O caso é um dos mais relevantes para a União do ponto de vista fiscal. A Receita Federal estima um impacto de R$ 19,6 bilhões para os cofres públicos caso seja obrigada a devolver os valores cobrados nos últimos cinco anos, e mais R$ 4 bilhões ao ano em relação ao futuro.
Plenário virtual
- Moratória da soja - Os ministros analisaram se confirmaram uma decisão do ministro Flávio Dino de que restabeleceu os efeitos de uma lei do Mato Grosso que proíbe incentivos fiscais e concessão de terrenos públicos a empresas signatárias da moratória da soja e outros acordos que visam limitar a expansão agropecuária.
Em dezembro de 2024, Dino havia suspendido a lei a pedido do PCdoB, PSOL, PV e Rede Sustentabilidade. Após uma liminar ser questionada pelo governo estadual e pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o ministro reconsiderou a decisão e restabeleceu os efeitos da lei, mas somente a partir de 1º de janeiro de 2026.
Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes votou para confirmar a decisão de Dino. A análise termina nesta sexta, 6, se não for suspensa por pedido de vista ou destaque.