Política

Bancada do PT articula com TCE para rever entendimento sobre mínimos constitucionais

Movimento ocorre após anúncio de acordo do governo do Rio Grande do Sul e Ministério Público em relação aos percentuais aplicados na educação estadual

Líder da bancada petista, Rossetto recebeu sinalização positiva do presidente do Tribunal de Contas
Líder da bancada petista, Rossetto recebeu sinalização positiva do presidente do Tribunal de Contas Foto : Fernando Gomes/ALRS/CP

Para cumprir os investimentos mínimos constitucionais na saúde, educação e ensino superior, o governo do Rio Grande do Sul computa gastos com inativos - medida criticada pela bancada do PT, a maior da Assembleia Legislativa, desde o início do governo Eduardo Leite (PSDB). Após o anúncio de um acordo do Palácio Piratini com o Ministério Público Estadual (MP-RS) em relação à educação, petistas devem buscar uma posição formal do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Durante a entrega da Lei Orçamentária que estimou déficit de R$ 2,8 bilhões para 2025, Leite destacou que o Estado deixará de computar gastos com inativos como despesas da educação, a partir de acordo firmado com o MP. A obrigação do Estado é destinar parte da receita para áreas específicas, como educação (25%), saúde (12%), ensino superior (0,5%), e ciência e tecnologia (1,5%). A transição deve durar 15 anos. O acordo foi criticado pela oposição.

“Este descumprimento ilegal vai perdurar por mais 15 anos, num acordo com o MP que deixa o governo estadual autorizado a descumprir a lei por mais 15 anos, com prejuízos gigantescos à população”, criticou o deputado Miguel Rossetto, líder do PT no Parlamento.

"Ficar mais 15 anos sem cumprir a Constituição é um contrato para o fim da escola pública estadual”, sintetizou o parlamentar.

Rossetto deve questionar o acordo entre MP e Executivo no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em agosto de 2023, o Tribunal aprovou as contas de Leite referente ao ano de 2021 apesar da indicação desfavorável do Ministério Público de Contas. O então procurador-geral do MPC, Geraldo da Camino, alegou justamente a "infringência de dispositivos constitucionais e legais e irregularidades na aplicação de recursos do Fundeb e a ausência de um plano de aumento nas aplicações dos percentuais em saúde".

“Estamos insistindo, dialoguei com o presidente do TCE, com os conselheiros, no sentido de que haja uma posição formal do Tribunal em relação a esse assunto. Por vários anos, segue esse questionamento. Desde 2016 há uma solicitação para uma manifestação do TCE sobre a correta aplicação da constituição. Conversei com Marcos Peixoto (presidente do TCE) e ele anunciou celeridade nisso”, destacou Rossetto.

O petista também criticou a previsão de R$ 2,8 bilhões de déficit no projeto da Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025, que deve ser votado até o dia 30 de novembro. “É o sexto ano que o governo Leite apresenta um Orçamento com déficit. Ou o Estado não está ajustado como ele diz recorrentemente, ou é um truque orçamentário, ou é incompetência”, disse o deputado.

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