Resultado de recentes articulações políticas, a Câmara de Porto Alegre passa por uma transformação e com uma nova distribuição de forças, dividida em três polos: “Centro-Democrático”, “Oposição” e “À Direita”.
O maior bloco da Câmara deve ser anunciado oficialmente nesta semana. Denominado “Bloco Centro-Democrático”, o grupo já conta com os vereadores do MDB, PSDB, Podemos, PDT e PSD. Articula-se ainda a incorporação do Republicanos à lista. Lideranças aguardam a resposta da sigla.
Incialmente, a agremiação era formada apenas pelo PSDB, Podemos, PDT e PSD – sete vereadores – e se chamava “Superando a Polarização”. Com a entrada dos emedebistas, o grupo chegou a dez participantes e assumiu um novo nome. Caso se confirme, o ingresso do Republicanos elevará o número para 13 e transformará o bloco na maior aliança da Casa.
A oposição ao governo Sebastião Melo (MDB), no momento, ocupa o posto de maior bloco. Constituído pelo PT, PSol e PCdoB, o grupo conta com 12 parlamentares. O vereador Jonas Reis (PT) lidera.
Oficializado na semana passada, há também o bloco partidário “À direita”, formado pelos vereadores do PL, PP, Novo e Cidadania. O grupo conta com dez dos 35 parlamentares da Casa Legislativa e ainda não tem um líder definido.
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O que é um bloco partidário?
Os blocos partidários reúnem siglas que têm interesses e bandeiras em comum. Os vereadores que os compõe não precisam necessariamente votar juntos, porém é um hábito recorrente em virtude de sua (esperada) proximidade ideológica.
A principal mudança que a formação de blocos traz diz respeito à representação dos interesses. Ao se reunirem em grupos, as legendas com afinidade garantem mais espaço em comissões importantes e/ou estratégicas.
Em outras palavras, de acordo com o cálculo de proporcionalidade partidária, as siglas ampliam sua participação visando defender pautas que compartilham entre si.
Centro-Democrático
O grupo ainda não tem um líder definido. Quando chamava-se “Superando a Polarização”, Moisés Barboza (PSDB) presidia a agremiação. Contudo, tudo indica que o ingresso do MDB e possivelmente o Republicanos deve reorganizar as cadeiras.
“Equilíbrio”. Questionado acerca do novo coletivo, o tucano disse que essa é palavra que melhor representa os preceitos que unem as siglas. “Se engana quem pensa que estamos em cima do muro. Somos outro polo, que não segue as críticas da oposição, tampouco as ideias da direita”, afirmou.
Entretanto, o parlamentar salienta que, embora dividida em duas frentes, a base governista continuará mobilizando as suas ações em conjunto. “A base segue sendo base. É uma questão de afinidade”.
O bloco é composto por:
Idenir Cecchin (MDB), Rafael Fleck (MDB), Psicóloga Sabino (MDB), Gilson Padeiro (PSDB), Moisés Barboza (PSDB), Marcelo Bernardi (PSDB), Giovane Byl (Podemos), Hamilton Sossmeier (Podemos), Márcio Bins Ely (PDT) e Claudia Araújo (PSD).
Possivelmente, Carlo Carotenuto (Republicanos), José Freitas (Republicanos) e Gilvani o Gringo (Republicanos) também integrarão o núcleo.
Oposição
O grupo da oposição foi o primeiro a ser formalizado. Ele reúne as legendas críticas ao governo Melo. Atualmente, Jonas Reis (PT) preside o polo.
A agremiação em bloco partidário já é uma estratégia antiga para os não governistas, que, em número desprivilegiado, unem-se para aumentar a sua influência. Dentre os 35 parlamentares da Casa, os opositores são doze.
O bloco é composto por:
Natasha Ferreira (PT), Juliana Souza (PT), Aldacir Oliboni (PT), Jonas Reis (PT), Alexandre Bublitz (PT), Pedro Ruas (PSol), Roberto Robaina (PSol), Grazi Oliveira (PSol), Karen Santos (PSol), Atena Rouveda (PSol), Giovani Culau (PCdoB) e Erick Dênil (PCdoB).
À Direita
O grupo foi anunciado na última quarta-feira e ainda não teve o seu presidente definido. O polo engloba os partidos – e vereadores – identificados com o liberalismo/conservadorismo. Ou seja, o que é popularmente conhecido como “direita”.
O vereador Mauro Pinheiro (PP) entende o movimento como a formalização de um bloco que já existia. “Nós já atuávamos em bloco pela semelhança como pensamos. Então, colocamos no papel”, explicou. O parlamentar garantiu, porém, que as legendas seguirão aliadas à base governista.
O bloco é composto por:
Comandante Nádia (PL), Jessé Sangali (PL), Coronel Ustra (PL), Alexandre Bobadra (PL), Mauro Pinheiro (PP), Vera Armando (PP), Mariana Lescano (PP), Ramiro Rosário (Novo), Tiago Albrecht (Novo) e Marcos Filipe (Cidadania).
Atualização
Nesta sexta-feira (dia 30 de maio), o Republicanos emitiu nota informando que não ingressará em nenhum dos blocos partidários da Câmara de Porto Alegre. A legenda se coloca como autônoma. Desse modo, consolida-se a configuração política do parlamento.
*Supervisão Mauren Xavier