Com longa trajetória no PCdoB e por muito tempo alinhado aos governos de esquerda, Aldo Rebelo se encontra como pré-candidato à presidência pelo partido Democracia Cristã (DC). Em visita ao RS, o ex-ministro e ex-deputado esteve na Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) para comentar sobre as perspectivas para a disputa eleitoral e a como potencializar os investimentos no RS.
Ao ser questionado sobre esse movimento de mudança ideológica para a direita e o histórico de proximidade com a ex-presidente Dilma Rousseff e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o pré-candidato do DC foi cordial e indicou que viveu uma relação de confiança mútua. Sobre a atual gestão, no entanto, as críticas foram contundentes, em especial a exploração de recursos naturais e os processos de licenciamento.
“O diagnóstico que eu faço é de que o Brasil é um país rico e interditado. Não está dessa forma por falta de capital ou de tecnologia, mas pelas próprias instituições, como o Supremo Tribunal Federal (STF), Ministério de Meio Ambiente”, comentou Aldo Rebelo.
Para o ex-ministro, a desburocratização da exploração de recursos naturais é um caminho necessário para que o país seja novamente atrativo para o capital estranegeiro. Por vezes, trouxe exemplos de lugares que estariam tendo o potencial econômico reduzido pela legislação ambiental, como alguns pontos no norte e nordeste do país que poderiam estar explorando petróleo ou no próprio Rio Grande do Sul, que detém 89% das reservas de carvão mineral do Brasil e não usufrui o recurso.
“Não podemos dar tanto poder para corporações como Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) ou ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), não podem decidir em nome de um país todo. Hoje, o licenciamento é uma corrida de obstáculos, então precisamos simplificar isso, através de uma entidade única para lidar com licenciamento”, reforçou. A proposta de Rebelo consiste no licenciamento em três frentes de avaliação, divididas em impacto social, econômico e ambiental, contrapondo o modelo atual de um único licenciamento que abarca esses tópicos de forma unificada.
Após a judicialização e os atritos envolvendo a indicação de Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF, para a posição de pré-candidato à presidência pelo DC, Aldo Rebelo reafirma que seguirá na disputa. Em relação a Flávio Bolsonaro (PL) e Lula, que encabeçam as pesquisas, Rebelo vê um potencial de crescimento no candidato do PL, indicando que o eleitorado buscará pelas qualidades idealizadas e não pelos defeitos dos postulantes ao Executivo nacional.
Ainda assim, reforça que será um pleito voltado a troca de polêmicas entre os candidatos. “Vai ser uma disputa eleitoral na lama. Não vai ter ninguém discutindo uma agenda, como eu tenho tentado fazer. Será apenas lama de um lado para o outro”, completou o pré-candidato.
