O Dia Internacional da Mulher Rural é comemorado, nesta quinta-feira (15), pela Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo da instituição da data é dar visibilidade às desigualdades de gênero enfrentadas no campo. Mesmo desempenhando um papel fundamental no combate à pobreza extrema, à fome e às mudanças climáticas, as agricultoras sofrem de forma desproporcional com as diversas formas de pobreza.
De acordo com dados da ONU, as mulheres representam, em média, cerca de 40% da força de trabalho agrícola, percentual que pode ultrapassar 50% em determinadas regiões da África e da Ásia. Apesar de sua contribuição para a produção de alimentos, as mulheres rurais ainda não têm acesso igualitário à terra, ao crédito, aos insumos agrícolas, aos mercados e às cadeias de valor de produtos de maior valor agregado. Também enfrentam dificuldades para acessar serviços públicos, como educação e saúde, e infraestrutura básica, incluindo água potável e saneamento.
Segundo a ONU, embora as mulheres representem quase quatro em cada dez pessoas que trabalham na agricultura, elas possuem apenas 15% das terras agrícolas. A organização também estima que, se as mulheres tivessem o mesmo acesso aos recursos produtivos que os homens, a produção agrícola poderia aumentar entre 20% e 30%, contribuindo para alimentar de 100 milhões a 150 milhões de pessoas a mais.
As desigualdades também se manifestam na participação política e na tomada de decisões. Barreiras estruturais e normas sociais discriminatórias continuam limitando a influência das mulheres rurais em suas comunidades e nos próprios lares. Globalmente, segundo a ONU, os indicadores de gênero e desenvolvimento mostram que, com poucas exceções, elas enfrentam condições mais desfavoráveis do que os homens rurais e as mulheres que vivem nas cidades.
Com o tema “Mulheres Rurais em Ascensão: Construindo Futuros Resilientes com Pequim+30”, a campanha promovida pela ONU Mulheres busca chamar a atenção para essas desigualdades, defender a participação feminina nos processos decisórios, reivindicar sistemas de proteção social mais robustos e reduzir a exclusão digital.
A iniciativa está alinhada ao marco Pequim+30, que retoma os compromissos da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim, um plano global voltado à promoção da igualdade de gênero e ao fortalecimento dos direitos das mulheres e meninas. Entre seus objetivos estão a erradicação da pobreza, a promoção da justiça climática e a garantia da participação plena das mulheres no desenvolvimento sustentável, independentemente de onde vivam.
- “Polinizadoras”: documentário mostra atuação de mulheres no campo
- Americano colhe abóbora de quase 1,5 tonelada
- Operação Leite Compen$ado 13: denunciados pelo MPRS foram sentenciados
