Rural

Aprobio defende uso voluntário de biodiesel

Entidade entende que mecanismo seria uma resposta ao temor imediato de falta de diesel

Maior concentração minimizaria a vulnerabilidade energética causada pela dependência de importação
Maior concentração minimizaria a vulnerabilidade energética causada pela dependência de importação Foto : Michel Chedid / Agência Petrobras / CP

A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) defende uso voluntário de biodiesel acima da mistura obrigatória atualmente em 15% (B15). Segundo a entidade, basta comunicar à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para utilização em transporte público, transporte ferroviário, navegação interior e marítima, frotas cativas, equipamentos e veículos destinados à extração mineral e à geração de energia elétrica, tratores e demais aparelhos destinados a executar trabalhos agrícolas.

Segundo a Aprobio, a maior concentração minimizaria a vulnerabilidade energética causada pela dependência de importação de diesel. “O alerta da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) sobre relatos de restrições e atrasos na entrega de diesel a produtores rurais renova a preocupação com a segurança do abastecimento no início do plantio da safra de verão”, disse em nota.

“Outro caminho para reduzir os riscos é que o governo federal avance na ampliação do uso do biodiesel com a a implementação imediata do B17, elevando a mistura para reduzir a dependência internacional nacional como parte da solução”, destacou o presidente da entidade, Jerônimo Goergen.

“Nesse sentido, o setor está mobilizando recursos e esforços para os testes de ampliação de mistura sejam acelerados para suportar a decisão”, disse Goergen. Segundo Goergen, “a indústria nacional possui ampla capacidade produtiva e regulamentação adequada para garantir o suprimento contínuo de biodiesel e impulsionar a economia sem depender de choques externos”. A transição para teores mais elevados, destacou, representa uma estratégia para assegurar o abastecimento e promover o desenvolvimento industrial do país.

Segundo a Aprobio, o Brasil importa de 20 a 25 navios de diesel por mês. Em setembro, estão previstos cerca de 838 mil m³ de diesel importado. Aproximadamente 80% desse volume tem origem nos Estados Unidos e está sendo subsidiado, o que gera benefício direto para aquele país.

“Ao ampliar a mistura de B15 para B17, o país adiciona cerca de 125 mil m³/mês de biodiesel nacional, o que permite deixar de importar entre 3 a 4 navios de diesel por mês. O alívio nos gastos com subsídios estatais promove impactos positivos no fortalecimento da agricultura familiar e do agronegócio, além de aumentar a industrialização e a geração de mais emprego e renda no país.”

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