Rural

Área da canola aumenta quase 500% em Passo Fundo e região

Clima, custo mais baixo em relação ao trigo e garantia de aquisição pela agroindústria explicam a expansão, ressalta a UPF

A área da oleaginosa e Passo Fundo e região passou de aproximadamente 6 mil hectares em 2025 para cerca de 35 mil
A área da oleaginosa e Passo Fundo e região passou de aproximadamente 6 mil hectares em 2025 para cerca de 35 mil Foto : Camila Guedes / Divulgação / CP

A canola duplicou seu espaço nas lavouras gaúchas da safra passada para a de 2026. São 353.397 hectares, segundo a Emater/RS-Ascar.

Impulsionada por diversos fatores, de econômicos a climáticos, a oleaginosa tem conquistado espaço nas lavouras gaúchas e se consolidado como uma alternativa ao trigo.

Na região de Passo Fundo, conforme a instituição, a área cultivada passou de aproximadamente 6 mil hectares em 2025 para cerca de 35 mil hectares em 2026, o que representa uma expansão de quase 483%, destaca a Universidade de Passo Fundo (UPF).

A universidade ressalta que a ampliação do cultivo demanda tecnologia e análises que auxiliam os produtores na tomada de decisões

Para o professor do curso de Agronomia da universidade Samuel Kovaleski, o crescimento da cultura é resultado da combinação de diferentes fatores.

Tradicionalmente, o trigo ocupa boa parte das áreas de inverno na região, mas os custos elevados de produção e os preços pouco atrativos têm levado os produtores a buscar alternativas.

“Enquanto o custo de produção do trigo pode superar 40 sacas por hectare, com produtividade média entre 45 e 50 sacas, a estimativa da canola é de um custo de produção entre 15 e 20 sacas por hectare e uma produtividade esperada de 30 a 35 sacas por hectare”, afirma o professor.

Além das questões econômicas, as condições climáticas também influenciam a escolha dos produtores pela canola. Segundo o professor, o fenômeno El Niño tem favorecido um cenário de chuvas intensas e frequentes no Estado, condição que pode afetar negativamente a produtividade do trigo e desestimular o seu cultivo.

Comercialização

Outro fator importante para um maior cultivo da canola, segundo ele, é a segurança de comercialização.

“Algumas indústrias têm oferecido suporte técnico aos produtores e contratos futuros para a compra da produção, reduzindo parte das incertezas relacionadas à venda dos grãos. Ao mesmo tempo, o avanço da busca por fontes de energia renováveis tem ampliado a demanda por matérias-primas destinadas à produção de biocombustíveis”, explica o professor.

Apesar do aumento do cultivo da canola, o trigo não foi definitivamente substituído. A perspectiva, segundo o professor, é de que a canola passe a ocupar um papel cada vez mais relevante na rotação de culturas, alternando-se com o trigo e outras espécies dentro do sistema produtivo.

“A canola contribui para a diversificação do sistema produtivo. Ao ser inserida em rotação com outras culturas, ela pode interromper o ciclo de doenças que atingem o trigo e o milho e contribuir para o controle de plantas daninhas”, comenta.

Tecnologia na tomada de decisão

Com a expansão do cultivo da canola, aumenta também a necessidade de informações técnicas que auxiliem o produtor a conhecer a qualidade da sua produção e tomar decisões mais assertivas. Nesse contexto, a UPF dispõe, por meio da UPF Multi, de tecnologia e estrutura para a realização de análises voltadas a diferentes demandas dos setores agrícola, industrial e de pesquisa.

“Com a tecnologia NIR, conseguimos avaliar de forma rápida diferentes parâmetros da composição da canola, como umidade, proteína, matéria mineral, gordura e fibra. Isso permite acompanhar os lotes em diferentes momentos da cadeia produtiva, desde a colheita e o recebimento até o armazenamento e a comercialização, gerando informações que auxiliam na tomada de decisão”, explica a encarregada da UPF Multi, Cristini Milech.

Segundo Cristini, conhecer a composição do grão ganha ainda mais importância diante do potencial da canola para diferentes aplicações.

“Não basta saber quanto foi produzido por hectare, é importante conhecer a qualidade e a composição desse grão, especialmente porque a canola tem interesse tanto para a produção de óleo quanto para o aproveitamento da fração proteica’, destaca.

"Essas informações podem auxiliar na caracterização dos lotes, na definição da destinação e também em negociações mais seguras ao longo da cadeia produtiva”, complementa

Os serviços de análises da UPF Multi são destinados a produtores rurais, cooperativas, cerealistas e armazenadores de grãos, além de indústrias esmagadoras.

Veja Também