Rural

Avicultura gaúcha atribui retomada das exportações aos ‘países fieis’

Após o foco da gripe aviária em 2025, setor ampliou os embarques de frango durante o ano, com destaque à expansão de quase 60% em agosto

A carne de frango teve o melhor desempenho entre as proteínas animais em agosto nos embarques gaúchos
A carne de frango teve o melhor desempenho entre as proteínas animais em agosto nos embarques gaúchos Foto : Pixabay / Divulgação / CP

Entre os produtos que mais cresceram nas exportações agropecuárias do Rio Grande do Sul em agosto, está a carne de frango, que avançou 58,4% em valor e 38,8% em volume na comparação com o mesmo mês de 2025.

O setor enviou ao exterior US$ 123 milhões em agosto ante US$ 77 milhões no mesmo mês de 2025, e 61.202 toneladas em agosto/26 e 44.088 em agosto/25.

Os números constam no relatório mensal de comércio exterior elaborado pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). A carne in natura cresceu 57,7% e 39,1% em receita e volume, respectivamente, principalmente para os mercados de Arábia Saudita, Países Baixos, China, Japão e Kuwait, apesar das perdas para Emirados Árabes Unidos e Filipinas.

Acumulado do ano

No acumulado do ano, os embarques da proteína também aumentaram. Em receita, o incremento foi de 24%, de US$ 784 milhões para US$ 969 milhões, e em volume passou de 438 mil toneladas para 494 mil, ou 19% a mais. No ano passado, o Estado embarcou, ao todo, 686 mil toneladas de frango, ou fatia de 13% das exportações brasileiras.

“A principal explicação conjuntural é a recomposição dos fluxos após as restrições sanitárias provocadas pela influenza aviária em granja comercial no RS em maio de 2025. A ABPA confirma que a retomada de mercados contribuiu para a recuperação nacional em 2026. A intensidade do avanço gaúcho reflete também a base deprimida e a distribuição dos embarques entre destinos”, explicou a Farsul sobre o desempenho do produto no mês passado.

A carne de frango teve o melhor desempenho entre as proteínas animais em agosto. A carne bovinas cresceu 5,8% em valor, mas recuou 3,5% em volume, visto a restrição chinesa, enquanto a suína teve queda de 17% em valor e 4% em volume, visto a redução das compras filipinas.

Para o presidente-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, os resultados de agosto refletem o que já era apontando nos meses anteriores: uma recuperação gradativa do setor em relação ao ano passado, visto os embargos em decorrência do caso de influenza aviária registrado em Montenegro, em maio de 2025, que levou à suspensão temporária de vários mercados para importações do Estado.

“Superado isso em tempo recorde na época, ainda no ano passado iniciou-se a retomada de mercado que, naturalmente, é gradativa”, explica.

O dirigente ainda ressalta a “cartela de países fiéis” ao frango brasileiro, parceiros que voltaram a comprar o produto gerado no Rio Grande do Sul “com força total”, e alguns desses até ampliaram as aquisições. Além disso, acrescenta, o setor enfrentou diversos movimentos e efeitos no mercado global, como os conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, além da instabilidade em outros países, e, inclusive, o ‘tarifaço’ americano.

“Nesse cenário, o Brasil, e especificamente a avicultura, mantém-se produzindo um alimento essencial para a nutrição humana. O país acaba sendo priorizado por produzir em larga escala e por atender às exigências comerciais de diversas nações”, avalia.

“Isso justifica o crescimento da demanda e a postura dos países que, sendo fiéis ao produto avícola gaúcho, vêm ampliando suas importações”.

Brasil

Já em nível nacional, as exportações de carne de frango somaram 492,634 mil toneladas em agosto, volume 24,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025, em embarcadas 394,637 mil toneladas. E a a receita alcançou US$ 997,870 milhões, 42,7% superior à de US$ 699,458 milhões obtidos em agosto do ano passado.

No acumulado janeiro a agosto, os embarques foram de 3,921 milhões de toneladas, crescimento de 15,5% em relação às 3,395 milhões de toneladas embarcadas no mesmo período de 2025, enquanto a receita atingiu US$ 7,689 bilhões, avanço de 21,9% sobre os US$ 6,308 bilhões de 2025.

Veja Também