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Brasil não pode ter ideologia no comércio internacional

Advertência é de consultor, que no Congresso da Andav destacou a importância para o agronegócio brasileiro do país ter boas relações com EUA e China

Marcelo Prado (com microfone): o Brasil precisa das tecnologias americanas e dos consumidores chineses
Marcelo Prado (com microfone): o Brasil precisa das tecnologias americanas e dos consumidores chineses Foto : Leandro Mariani Mittmann / Especial / CP

O lugar do agronegócio brasileiro no decorrer dos próximos dez anos esteve em debate num dos painéis do 15º Congresso da Andav, a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários, nesta terça-feira, em São Paulo, evento cujo slogan foi “Agroeconomia Brasileira Reflexões para o Futuro”.

Neste painel, o consultor Marcelo Prado, da MP Prado, contextualizou o Brasil na economia mundial que cresceu em média anual 3,7% nos últimos dez anos, com exceção do período excepcional da pandemia, e que vai expandir 3% por ano até 2036, ou 19% a menos. “Isso é um ponto de atenção para a agente”, alertou.

E, neste contexto, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) projeta que, nos próximos dez anos, em alimentos o mundo vai demandar e ofertar entre 1,2% a 1,5% ao ano.

Assim, se a demanda aumentar 1,5% e a oferta, por sua vez, 1,2%, o cenário será favorável em preços a quem produz comida, o caso do Brasil. Ou, ao contrário, se a oferta crescer mais que a procura, os preços cairão.

Geopolítica internacional

E lembrou também que a China, há muito o principal destino das exportações do agro brasileiro (cerca de um terço dos embarques), vai crescer sua economia em 4,5% por ano na próxima década, aquém dos 8,8%/ano nos últimos 25 anos. “Se ela cresce menos, exige atenção para nós”, disse Prado.

“Os conflitos geopolíticos que hoje existem têm alterado fortemente os preços e a forma da gente gerenciar e planejar os nossos negócios. E eles (conflitos) vão continuar existindo nos próximos dez anos”, acrescentou.

Ainda na questão geopolítica, definiu que a China e os Estados Unidos “estarão lutando pelos próximos dez anos pela hegemonia e liderança econômica do planeta”.

“E isso vai criar a saia justa para o Brasil, pelo seguinte: o Brasil precisa ter acesso a muitas tecnologias digitais dos Estados Unidos e também precisa se relacionar bem com a China, que é o nosso maior cliente”, advertiu.

E decretou: “Então, temos que parar com ideologia no mundo do comércio internacional”, alertou. “No comércio internacional não pode ter ideologia, independente de quem seja o próximo presidente ou quem será o próximo presidente dos Estados Unidos e assim por diante”, reiterou. “As nações têm que fazer negócios com sabedoria e que possam engrandecer os seus setores.”

Menos expansionismo de área

Prado evidenciou que nos últimos 25 anos a agricultura brasileira cresceu 2,8% por ano em área plantada, e que, na projeção dele, a expansão será de 1,5% anualmente na próxima década.

“Aqui vemos uma desaceleração de expansionismo. E o que vai aumentar a produção será a eficiência e produtividade”, descreveu.

Da mesma forma, ele projetou que haverá um encurtamento das margens de lucro do agricultor.

“Se as margens dele serão mais apertadas, além da eficiência operacional que é uma questão básica, ele precisará alcançar excelência em gestão.”

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