As lavouras gaúchas de canola tem desenvolvimento satisfatório e potencial produtivo compatível com as expectativas iniciais da safra. As avaliações são da Emater/RS-Ascar, em seu Informativo Conjuntural de quinta-feira, 9.
“Predomina o estádio de desenvolvimento vegetativo, embora as áreas implantadas mais precocemente iniciem a transição para a fase reprodutiva, em que se observa o florescimento das primeiras lavouras. A variabilidade fenológica reflete o amplo período de semeadura desta safra”, descreve a instituição.
O informativo destaca que as temperaturas baixas e as geadas de fraca intensidade não causaram danos significativos, apenas eventuais efeitos a algumas áreas em estádios mais sensíveis.
“A elevada umidade, associada à reduzida disponibilidade de radiação solar, desacelerou o crescimento vegetativo e limitou a execução de parte dos tratos culturais, especialmente a adubação nitrogenada em cobertura e o controle de plantas daninhas”, acrescenta.
Apesar das restrições mencionadas, as lavouras apresentam bom padrão de sanidade, e não há registros expressivos de pragas ou doenças.
“No entanto, as condições de elevada umidade têm reforçado a necessidade de monitoramento fitossanitário, sobretudo em função da aproximação do período reprodutivo”, adverte.
A área cultivada da oleaginosa está estimada pela Emater/RS-Ascar em 353.397 hectares, e a produtividade média em 1.619 kg/ha. E a comercialização da saca de 60 quilos tem o preço médio praticado nas regiões de Ijuí e Santa Maria de R$ 130,00, a na de Santa Rosa, R$ 128,37.
Desenvolvimento regional
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as condições de desenvolvimento e potencial produtivo das lavouras estão dentro das expectativas, exceto nas áreas pontuais com falhas de estande decorrentes das condições de implantação. Predomina o estágio de desenvolvimento vegetativo. As geadas, registradas durante o período, causaram danos apenas em algumas áreas semeadas mais tardiamente, ainda em estádio de plântula.
Em São Borja, as primeiras lavouras semeadas estão em início de florescimento, fase de maior sensibilidade às geadas. Entretanto, a baixa intensidade do evento ocorrido em 03/07 não deve ocasionar impactos expressivos.
Na de Ijuí, os cultivos apresentam ampla variação fenológica, variando entre estádio de roseta e início da floração, o qual corresponde a aproximadamente 5% das áreas. Essa disparidade é resultado do escalonamento da semeadura entre o início de abril e a segunda quinzena de junho, com maior concentração em maio. O desenvolvimento vegetativo é considerado muito satisfatório, com plantas vigorosas e bom potencial produtivo.
Na de Santa Maria, as condições meteorológicas dificultaram a realização dos tratos culturais, principalmente a aplicação de herbicidas para o controle de plantas daninhas e a adubação nitrogenada em cobertura. A elevada umidade do solo e a sequência de dias nublados, com baixa disponibilidade de radiação solar, reduziram o ritmo de desenvolvimento vegetativo.
Na de Santa Rosa, nas áreas implantadas mais tardiamente, prosseguiram as aplicações de fertilizantes nitrogenados em cobertura. Nas lavouras semeadas em maio, observa-se o início da floração em plantas isoladas, indicando a entrada gradual da cultura no estádio reprodutivo.
A sanidade está satisfatória, sem registros relevantes de pragas ou doenças. Embora a baixa luminosidade ainda não tenha comprometido o desempenho dos cultivos, persiste a preocupação com essa condição durante a floração devido aos possíveis reflexos sobre a polinização e a formação dos grãos.
Os produtores continuam o controle de plantas daninhas e o monitoramento fitossanitário, com atenção especial às doenças fúngicas favorecidas pela elevada umidade. As perspectivas de produtividade estão positivas, sustentadas pelo bom estabelecimento das lavouras.
