Na avaliação do assessor de relações internacionais da Farsul, Renan dos Santos, os produtores de carne bovina brasileiros serão os mais afetados pela decisão da União Europeia de suspender a importação de proteínas, que incluem aves e mel, de procedência do Brasil. “Porque o ciclo de vida do animal é mais longo. Vai demorar mais para nascer o animal até o abate.”
Para aves, que têm um ciclo mais curto, será mais rápido para adequar o mercado às regras de controle do uso de antimicrobianos na produção. “Em breve, devemos recuperar", resumiu.
Apesar de o Brasil alegar que já cumpre os requisitos do bloco europeu, Renan observa que o problema é comprovar esse processo. “Para comprovar, do jeito que eles querem, a gente vai ter que esperar nascer animais e fazer a rastreabilidade.”
“Infelizmente aconteceu. Tivemos erros do nosso lado brasileiro, não do produtor, agora, é se adequar aos protocolos”, disse. Segundo ele, o impacto maior é na imagem do Brasil. “A Noruega, por exemplo, apesar de ser um mercado menor, disse que vai seguir as regras.”
Neste momento, a Comissão Europeia reprova o Brasil por não ter apresentado garantias suficientes sobre a conformidade de seus produtos com as regras europeias contra o uso abusivo de antibióticos na indústria pecuária.
Um porta-voz do Executivo europeu disse à AFP que o Brasil é um parceiro importante e, uma vez demonstrada a conformidade, as exportações para a UE poderão ser retomadas. Bruxelas não quis fornecer um calendário para a retomada das importações.
No caso das aves e do mel, uma auditoria está em andamento e deve ser concluída na sexta-feira. Se o resultado for positivo e os países europeus derem sinal verde, as exportações de carne de aves brasileira para a UE poderão voltar a ser autorizadas nas próximas semanas. Os prazos, por outro lado, poderão ser mais longos para a carne bovina.
“A data a partir da qual o Brasil poderá estar em condições de certificar sua conformidade com as exigências da UE varia de acordo com os setores”, explicou a Comissão Europeia.
