Rural

Carne bovina deve ser mais afetada pela suspensão da UE

Assessor de relações internacionais da Farsul avalia que Brasil cometeu erros

Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às exigências sanitárias europeias
Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às exigências sanitárias europeias Foto : Joseani Mesquita Antunes / Embrapa Trigo / Divulgação / CP

Na avaliação do assessor de relações internacionais da Farsul, Renan dos Santos, os produtores de carne bovina brasileiros serão os mais afetados pela decisão da União Europeia de suspender a importação de proteínas, que incluem aves e mel, de procedência do Brasil. “Porque o ciclo de vida do animal é mais longo. Vai demorar mais para nascer o animal até o abate.”

Para aves, que têm um ciclo mais curto, será mais rápido para adequar o mercado às regras de controle do uso de antimicrobianos na produção. “Em breve, devemos recuperar", resumiu.

Apesar de o Brasil alegar que já cumpre os requisitos do bloco europeu, Renan observa que o problema é comprovar esse processo. “Para comprovar, do jeito que eles querem, a gente vai ter que esperar nascer animais e fazer a rastreabilidade.”

“Infelizmente aconteceu. Tivemos erros do nosso lado brasileiro, não do produtor, agora, é se adequar aos protocolos”, disse. Segundo ele, o impacto maior é na imagem do Brasil. “A Noruega, por exemplo, apesar de ser um mercado menor, disse que vai seguir as regras.”

Neste momento, a Comissão Europeia reprova o Brasil por não ter apresentado garantias suficientes sobre a conformidade de seus produtos com as regras europeias contra o uso abusivo de antibióticos na indústria pecuária.

Um porta-voz do Executivo europeu disse à AFP que o Brasil é um parceiro importante e, uma vez demonstrada a conformidade, as exportações para a UE poderão ser retomadas. Bruxelas não quis fornecer um calendário para a retomada das importações.

No caso das aves e do mel, uma auditoria está em andamento e deve ser concluída na sexta-feira. Se o resultado for positivo e os países europeus derem sinal verde, as exportações de carne de aves brasileira para a UE poderão voltar a ser autorizadas nas próximas semanas. Os prazos, por outro lado, poderão ser mais longos para a carne bovina.

“A data a partir da qual o Brasil poderá estar em condições de certificar sua conformidade com as exigências da UE varia de acordo com os setores”, explicou a Comissão Europeia.

Veja Também