Um estudo coordenado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e publicado no periódico da Sociedade Brasileira de Zoologia aponta registros de 35.699 espécies de besouros no Brasil. Os autores do trabalho, abordado em reportagem da Ciência UFPR, revista de temas científicos UFPR, estimam que o país reúna em torno de 9% de todas as espécies de besouros descritas no mundo. Mas esse percentual pode chegar a 15% da diversidade mundial quando se considera o número provável de espécies ainda desconhecidas.
O estudo reuniu 100 pesquisadores de 15 países para analisar o panorama atual da ordem dos besouros (Coleoptera) no Brasil. Foram usados dados do Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB) e inventários de biodiversidade de outros países, além do primeiro inventário nacional de Coleoptera, desenvolvido por Cleide Costa, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP), em 2000, e outros documentos.
Segundo o professor Edilson Caron, do Departamento de Biodiversidade da UFPR e primeiro autor do artigo, a ordem Coleoptera é a maior e uma das mais diversificadas ordens de insetos do planeta.
“Não é possível imaginar o mundo sem a ação dos besouros. Eles estão em todos os lugares: desde o solo, construindo galerias e camadas internas, até o topo das árvores mais altas, consumindo, polinizando e interagindo com todos os estratos”, diz Caron, citado na reportagem da Ciência UFPR.
No Brasil, as 35.699 espécies de besouros contabilizadas são distribuídas em 4.958 gêneros pertencentes a 116 famílias. Esse número é quase 40% superior ao total de espécies conhecidas em toda a América do Norte, destaca a publicação.
"Em comparação com o levantamento feito por Cleide Costa há 26 anos, a quantidade de gêneros registradas no Brasil cresceu cerca 29%, enquanto a de espécies aumentou em torno de 33%", afirma a revista. Mas pesquisadores apontam que ainda há muito a descobrir. De acordo com a Ciência UFPR, cerca de 144 novas espécies brasileiras são descritas por ano e, se a mantida a tendência, o número pode atingir 180 por ano na próxima década, o equivalente a uma espécie descoberta a cada dois dias.
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