Rural

Cereais unem saúde e alternativa de mercado para o arroz

A 36ª Edição da Abertura da Colheita começou nesta terça-feira, em Capão do Leão, no Sul do Estado

O arroz negro, o vermelho e o japônico estão entre os cultivares apresentados pela Embrapa
O arroz negro, o vermelho e o japônico estão entre os cultivares apresentados pela Embrapa Foto : Angélica Silveira/ Especial CP

A Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas começou nesta terça-feira, na Estação Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão, no Sul do Estado. Uma das preocupações do setor é a quantidade excessiva na produção do cereal que, combinada ao baixo valor de comercialização, faz com que sejam buscadas alternativas. Por isso, a Embrapa apresenta, neste ano, cultivares especiais para o contexto do mercado. Entre as novidades está o lançamento da cultivar de arroz preto. Para o chefe da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Ferreira Dutra, ela vem atingir um nicho de mercado específico, considerando a parte de alimentação.

"Uma das partes que podemos ter de usos alternativos do arroz é a alimentação, então o arroz negro, o vermelho, e o japônico são tipos especiais de arroz que nos levam para nichos específicos de mercado e que são alternativas para os excedentes de produção", destaca.

Ele lembra que a produtividade por hectare está cada vez maior, mas há uma redução no consumo per capita do arroz. "Acredito que isto ocorre primeiro por questões culturais muitos aspectos, além de desinformação. Muitos dizem que comer arroz engorda, então é a primeira coisa que cortam da alimentação, mas junto com o feijão é sabidamente a base da alimentação", observa. Dutra também acredita que as mudanças culturais da população também atrapalham neste caso. "Na correria, entrou no país a questão de que a alimentação tem que ser rápida. A família brasileira perdeu aquela questão de sentar todos à mesa, fazer um arroz com feijão com carne", lamenta.

Ele destaca que a ideia é estimular a informação para que as pessoas voltem a consumir o arroz em níveis aceitáveis. Em 2014, a Embrapa lançou o arroz gigante que foi a primeira cultivar do país desenvolvida na produção de etanol. "Isto mudou depois que o preço valorizou e não havia mais excedentes, mas a crise voltou e hoje o arroz gigante não atenderia à demanda da cadeia, pois temos excedente do cereal para consumo", observa. Segundo ele, esse tipo de arroz pode ser utilizado para a produção de etanol. "Estamos trabalhando esta possibilidade e vamos discutir com a Câmara Setorial, ou trabalharemos com novos cultivares específicos para a produção do etanol", pondera.

Compostos bioativos

O pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, sediada em Goiás, José Columbari, coordena o programa nacional de arroz da instituição de pesquisa. Ele conta que vem trabalhando na pesquisa da cultivar de arroz preto há 12 anos. "Estamos entregando esse ano esse produto à cadeia produtiva e vem para atender esses nichos de mercado de grãos especiais. Hoje a gente sabe que existe uma demanda forte de consumidores que buscam alimentos que têm a presença de compostos bioativos, que fazem bem para a saúde, e também alimentos que têm sabores diferentes", observa.

Ele explica que o arroz preto é um produto que traz para o consumidor uma complexidade muito maior ao consumo sensorial, tendo um aroma e um sabor amendoado, também trazendo benefícios à saúde. "A coloração se refere à presença de compostos bioativos, que é a mesma coisa que a gente encontra na uva, no mirtilo, que tem atividade antioxidante", compara. O consumo de 100 gramas de um arroz preto equivale ao consumo de uma taça de vinho, por exemplo. "Com isso tem o apelo na parte de saúde", confirma.

Sobre o arroz vermelho, que é um produto lançado pela Embrapa em 2015, também tem a presença de compostos fenólicos para a nossa saúde. "Não são antocianinas como arroz preto, que na verdade é um púrpuro muito escuro que fica preto, então quando a gente vai cozinhar ele fica um pouco mais arroxeado, púrpura, mas é a presença de proantocianidinas, que o outro composto fenólico que essa coloração avermelhada", explica.

Há também a cultivar voltada para a culinária japonesa, que foi lançada em 2015 e também está disponível no estande da Embrapa no evento. "Ele pode ser consumido tanto na sua forma integral, que ele já entra nesse nicho de arroz cateto, como também polido para a culinária japonesa, para o preparo de sushi", exemplifica. Columbaire relata que na Embrapa são realizados vários testes culinários. "Conseguimos ter o mesmo tempo de cocção com essas três cultivares, então é possível misturar elas e com isto ter uma atratividade maior também, como também elas individualmente", observa. Elas são alternativas pois são cultivares melhoradas que produzem sem necessidade especial de manejo de seis a dez toneladas por hectare.

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