Rural

China adotará novos limites de resíduos de medicamentos veterinários

Norma exigirá adaptações nas concentrações de algumas substâncias presentes em alimentos de origem animal permitidas no Brasil

Mudança atinge produtos como carne bovina e vale para todos os países exportadores
Mudança atinge produtos como carne bovina e vale para todos os países exportadores Foto : Daniela Quadros / Divulgação / CP

A China deverá atualizar, em data ainda não definida, limites máximos de resíduos (LMRs) para 142 medicamentos veterinários em alimentos de origem animal, tanto produzidos localmente quanto importados. A notificação do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais do país asiático foi enviada à Organização Mundial do Comércio (OMC) em 8 de setembro, e o período de consulta para manifestações dos países-membros da instituição se estende até 7 de novembro.

A mudança é destacada em nota técnica da assessoria econômica da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), que comparou a normativa chinesa com o Codex Alimentarius — conjunto de normas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) para segurança de alimentos — e a legislação brasileira. De acordo com a Farsul, a proposta não significa, em linhas gerais, um endurecimento em relação a essas duas regulações e o risco comercial estaria concentrado em poucas substâncias.

“(O Brasil) está bastante alinhado. Só que eles vão além do Codex e da legislação brasileira em alguns itens”, explica o economista Renan Hein dos Santos.

Como um exemplo do impacto das novas regras, o economista cita o antibiótico cloxacilina, usado principalmente em bovinos. “O limite no Brasil é 300 (microgramas por quilograma). Para a China, vai ser 50, então a nossa legislação permite seis vezes mais do que a chinesa vai permitir daqui a um tempo. É essa a preocupação”, diz Santos.

A Farsul observa que a notificação atinge todos os parceiros comerciais da China e ocorre em um momento de maior atenção do país a resíduos em produtos brasileiros de origem animal. A assessoria econômica lembra que, em maio deste ano, o país suspendeu temporariamente as importações de carne bovina de três frigoríficos brasileiros, após detectar acetato de medroxiprogesterona nas cargas.

Em setembro, uma missão chinesa realizou auditorias em propriedades rurais, abatedouros e laboratórios oficiais em seis estados, nas cadeias bovina, suína e de aves. Embora a nova proposta não tenha relação direta com esses episódios, a avaliação é que o contexto reforça a importância de conhecer com antecedência as exigências chinesas.

“No curto prazo, não muda nada. Mas é um momento de estudar esse assunto para não ser pego de surpresa lá na frente, (…) nos adiantando para estar aptos a atender àquele mercado”, alerta Santos.

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