Mesmo com a entrada no mercado gaúcho de carne procedente de outros estados, a escassez local de animais contribui para sustentar as cotações nesta semana.
Assim, no mercado do boi gordo, os preços não apresentaram variação em relação à semana anterior, observou a Análise Semanal de Preços do Gado Gordo e de Reposição, elaborada pelo Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
“Além disso, o excesso de chuvas reforça essa sustentação, uma vez que dificulta o escoamento dos animais das propriedades”, explica o informativo.
“Essas grandes incidências de chuvas que ocorreram nos últimos dias e que têm previsão, inclusive, para primeira quinzena de agosto, podem afetar uma série de operações de campo no Rio Grande do Sul”, alerta o professor Júlio Barcellos, coordenador do NESPro.
“As operações de campo prejudicadas pelo excesso de chuvas vão afetar, principalmente, o escoamento da produção, movimentação de gado, em decorrência de estradas interrompidas, de dificuldades de embarque desses animais, mas também de dificuldades de manejo com animais, condução até os centros de manejo para fazer seleção, aparte a acomodação em novos potreiros seja para engorda, para recria", complementa.
Antecipações
Ele lembra que são os efeitos do El Niño muito já alertado, que impõe uma série de antecipações de atividades com o gado.
“E isto pode, circunstancialmente, por um período de tempo relativamente restrito, afetar, inclusive, o mercado. Ou seja, muitos leilões de gado de reposição podem ter dificuldades de concentrar a chegada desse gado, muitos embarques para frigoríficos naquelas propriedades que estão em em locais de acesso mais complicado também podem representar alguma restrição de oferta”, descreve.
Bem-estar prejudicado
“Por outro lado, também o excesso de chuvas causa muitos prejuízos aos bovinos, não exclusivamente pelas enchentes, alagamentos, mas o gado nos dias de chuva consome menos pasto, sofre um estresse muito grande, não tem, muitas vezes, os locais para descansar, para deitar, para fazer toda a sua digestão, conforme o seu comportamento natural, e isso acaba refletindo no desempenho dos animais”, acrescenta.
Barcellos lembra também que muitos produtores, em decorrência destes prejuízos, acabam esperando que os animais se recuperem, e essa etapa não é imediata, se estende por duas, três semanas em busca do peso perdido, o que também afeta o mercado.
Reflexos nos preços
“Então, esperamos no aspecto do gado gordo, uma manutenção de preços, porque esse é um período que já está com uma oferta maior. Mesmo as restrições de embarque, é natural que o mês de agosto o preço do gado caia”, explica.
“Nossas projeções demonstram uma redução de preço e, por outro lado, o gado de reposição e gado para cria, inclusive, pelas dificuldades de embarque e uma certa insegurança por parte dos pecuaristas em fazerem grandes aquisições de gado agora, em decorrência desta imprevisibilidade do que poderá acontecer em termos de enchentes e de problemas de logística e problemas das pastagens.”
Reposição
Já no mercado do gado de reposição houve retração nas cotações da maioria das categorias ao longo da semana, com exceção da terneira, que registrou valorização de 1,23%.
“As fortes chuvas e temporais no Estado têm prejudicado a comercialização, levando muitos produtores a adiar a compra de animais para reposição. Como consequência, a demanda se enfraquece e as cotações mantêm tendência de queda nas demais categorias neste período”, analisa o NESPro.
Variação das cotações na semana
Terneira: +1,23%
Terneiro: -1,2%
Novilha: -6,9%
Novilho: -5,0%
Vaca invernar: -4,6%
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