Começou nesta segunda-feira (20) e segue até domingo o evento POA Climate Action Week 2026. A mudanças climáticas e seus efeitos já são uma realidade, segundo o coordenador do Imaflora, Gabriel Quintana, ao falar sobre extremos climáticos. “É algo que já está acontecendo e já sentimos os impactos.”
Nesta terça-feira, o engenheiro ambiental, pós-graduado em agronegócios, é um dos palestrantes do painel “Menos Metano, Mais Futuro: segurança alimentar e inovação no cultivo de arroz”, um debate sobre agricultura sustentável e mitigação de gases de efeito estufa, como o metano, responsável por 1/3 do aquecimento global. O encontro vai discutir desafios, oportunidades e soluções capazes de reduzir emissões, aumentar a produção e fortalecer a sustentabilidade e a permanência no campo.
Também participam do debate Mara Grohs, que é pesquisadora do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e uma das principais referências em manejo de baixo carbono na rizicultura gaúcha, e Edivane Portela, engenheiro agrônomo que atua no desenvolvimento e coordenação da produção de arroz orgânico e de base ecológica. Seu trabalho envolve parcerias estratégicas com movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) — considerado o maior produtor de arroz orgânico da América Latina.
“É fundamental para o agro acelerar e expandir as mudanças necessárias para promover a mitigação das emissões de gases de efeito estufa, conciliando aumento de produtividade e adaptação dos sistemas de produção, de modo que seja menos vulnerável à crise climática que já parte da nossa realidade", diz Gabriel Quintana.
Já Mara Grohs lembra que o arroz não é o vilão, ele não emite metano, apenas “transporta” o gás existente no solo para a atmosfera.
“O que difere o nível de emissão é a quantidade de raízes. Quanto mais raízes a planta tem, maior a emissão de metano, porque maior a absorção de metano do solo. Vale lembrar que o arroz não produz metano, ele transfere o metano presente no solo”, explica Mara.
O Irga desenvolve sementes capazes de reduzir a emissão de metano. E também trabalha com os produtores o uso da rotação de culturas, um modelo que alterna arroz, pastagem e outras culturas, como a soja, para reduzir o tempo em que o solo permanece alagado. Isso ajuda a reduzir as emissões de metano e aumenta a absorção de CO₂ pelo solo. Nas propriedades que usam a rotação, o Irga registrou uma redução de até 54% nas emissões de metano, ao mesmo tempo em que a produtividade aumentou 20%.
Já o preparo antecipado do solo é uma técnica que pode reduzir em até 25% as emissões de metano. A lógica é interromper, logo após a colheita, o ciclo de decomposição anaeróbica da matéria orgânica residual.
Além do arroz de baixo metano, o RS também é modelo na produção de arroz orgânico. O Assentamento Filhos de Sepé, em Viamão, é um exemplo. Edivane Portela atua no Programa Estadual de Produção de Arroz de Base Ecológica e assessora os agricultores assentados.
“Precisamos mudar o foco. A Semana do Clima em Porto Alegre nos traz à consciência: tudo no planeta tem relação de causa e consequência”, diz o engenheiro agrônomo, filho mais novo de 12 irmãos e que foi “destinado a estudar”, como ele mesmo conta
“Quanto mais o ser humano vai se deslocando para as cidades, mais perde a conexão com a natureza e passa a sentir só os efeitos, não conseguindo conectar as causas”, diz Edivane.
Painel Menos Metano, Mais Futuro: segurança alimentar e inovação no cultivo de arroz
Data: terça-feira, 21 de julho, das 11h30min às 12h30min
Local: Teatro Olga Reverbel – Multipalco Eva Sopher/ Theatro São Pedro
Entrada gratuita
Veja aqui a programação da Semana do Clima de Porto Alegre
