Rural

Endividamento rural no Estado passa de R$ 28 bi

Alerta foi feito pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul, que atribui montante às dificuldades climáticas

Situação dos produtores rurais do Rio Grande do Sul foi examinada durante reunião na sede da Fetag, em Porto Alegre
Situação dos produtores rurais do Rio Grande do Sul foi examinada durante reunião na sede da Fetag, em Porto Alegre Foto : Pedro Piegas

Por conta das chuvas excessivas e secas intensas, o endividamento dos produtores rurais do Rio Grande do Sul soma R$ 28,4 bilhões. O assunto foi tema de entrevista coletiva na sede da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag), nesta quinta-feira, 6, em Porto Alegre.

“Já faz três anos que temos esses problemas”, desabafou o presidente da entidade, Carlos Joel da Silva.

Carlos Joel citou o Banco Central e a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro/RS) como fontes do levantamento financeiro.

Conforme o presidente da Fetag, do total do endividamento, R$ 11,3 bilhões refere-se a prorrogações no Crédito Rural Oficial no ano passado, R$ 2,3 bilhões ao custeio do agricultor no sistema cooperativo e R$ 14,8 bilhões de contratações do crédito rural oficial 2024/2025, reflexo das consequências das mudanças climáticas e também das alterações no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

“Não perde só o agricultor, mas toda a sociedade. É menos renda, impostos e empregos. Nós somos 50% do Produto Interno Bruto (PIB), se fosse contabilizado a indústria de máquinas agrícolas”, relatou Carlos Joel.

O Proagro, segundo ele, é o principal mecanismo de financiamento e segurança dos produtores e que está inviabilizado por conta de resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) publicadas entre 2023 e 2024.

“Como reflexo disso, temos a redução significativa de contratos do Proagro no Rio Grande do Sul”, afirmou o secretário executivo da Fetag-RS, Kaliton Prestes.

Foram firmados, de acordo com Kaliton, 163.752 contratos em 2022, 155.073 em 2023 e 129.521 no ano passado. As quedas são, respectivamente, de 5,6% e 19,7%.

“Esse problema só vai aumentar. O agricultor que não tem cobertura para extremos climáticos fica à mercê e o endividamento aumenta muito mais, além de ficar desamparado de todas as outras políticas públicas”, pontuou Prestes.

Conforme o presidente da Fetag-RS, a entidade deu início a uma agenda de tratativas em prol dos produtores, que ficaram mais fragilizados devido à estiagem, que ultrapassa os 40 dias em metade do território do Rio Grande do Sul.

“Infelizmente, voltamos à estaca zero de tudo o que negociamos no ano passado com o governo. Temos financiamentos vencendo. Se não fizermos mudanças, o Proagro acaba no Rio Grande do Sul”, salientou Joel, ao dizer que quem cria a lei não conhece a atividade no campo.

O dirigente adiantou que a Fetag-RS enviou convites para os ministros do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, e da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, para um debate na sede da entidade, em Porto Alegre. O convite foi estendido ao governador do Rio Grande do Sul.

No dia 19 de março a entidade participa do Grito de Alerta, no município de São Luiz Gonzaga.

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