Rural

Estudo indica avanço de startups do agro no país

Parceria com universidades e redes de inovação fortalece agtechs; RS está em segundo lugar em número de empreendimentos

Desenvolvimento de tecnologias para o campo ainda esbarra em falta de recursos, mostra levantamento
Desenvolvimento de tecnologias para o campo ainda esbarra em falta de recursos, mostra levantamento Foto : Rafael Soares / Divulgação / Embrapa / CP

Um estudo feito pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups) em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) mostra que o ecossistema de agtechs no Brasil tem avançado com forte apoio de redes de inovação e instituições acadêmicas. O levantamento analisou 170 startups, das quais 79% afirmaram contar com dois ou mais parceiros estratégicos.
Os hubs de inovação aparecem como os apoiadores mais frequentes, presentes em 52,9% das startups mapeadas. Em seguida vêm as instituições acadêmicas, citadas por 50% das empresas. O dado reforça a aproximação entre ciência, tecnologia e agronegócio no desenvolvimento de soluções para o campo.
Para a CEO da ABStartups, Claudia Schulz, essa colaboração dita o ritmo de evolução do setor.

“As agtechs vêm construindo soluções cada vez mais conectadas às demandas reais do agro brasileiro. Esse amadurecimento passa diretamente pela força dos ecossistemas locais e pela troca com universidades e agentes de inovação”, afirma.

Esse fortalecimento regional também se reflete nos investimentos. Segundo o levantamento, 54,8% dos aportes recebidos pelas startups vêm do próprio estado de origem da empresa.

O estudo mostra, ainda, que o setor caminha para a consolidação de seus modelos de negócio. O formato SaaS (software as a service) lidera entre as agtechs brasileiras, representando 39,2% das operações, seguido pela venda direta (24,7%). Com relação ao tipo de cliente, praticamente metade das agtechs (50,6%) atua no segmento B2B, portanto, fornecendo produtos ou serviços a outras empresas.

Outros dados mostram a distribuição das agtechs pelo país. A maioria das startups está localizada na Região Sudeste (52,9%), seguida pelas regiões Sul (25,9%) e Norte (8,8%). Entre os estados, São Paulo reúne 38,8% das empresas, e o Rio Grande do Sul e Minas Gerais figuram na segunda posição em número de negócios, empatados com uma fatia de 12,4% cada no total de agtechs.

A falta de recursos continua sendo um dos entraves para a inovação. Das empresas mapeadas, 52,4% alegam não ter recebido qualquer tipo de investimento. Entras as que receberam algum aporte financeiro, a principal fonte financiadora é o fomento público (25,5%), seguido pelos investidores-anjo (23,6%) e programas de aceleração (10,9%).

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