A reta final do ciclo do trigo no Rio Grande do Sul exige atenção dos produtores diante do avanço das chuvas. “Pode ter problemas relacionados a doenças de espiga, principalmente giberela, que é a principal doença que acontece na fase do espigamento”, analisa o engenheiro agrônomo da Embrapa Trigo, Marcelo Klein, informando que a maioria das áreas do Estado está na etapa de enchimento de grãos, se encaminhando para a maturação. “Inclusive, há até relatos de alguns lugares onde já ocorreu a colheita, mais para a região Oeste. Então, esta é uma fase bem crítica”, descreveu.
Na pré-colheita, uma das principais preocupações com a umidade é a germinação do trigo dentro da espiga. “É um fenômeno que pode diminuir a qualidade do trigo”, afirma.
Segundo Klein, a boa notícia é que as áreas que concentram o cultivo no Rio Grande do Sul registraram chuvas menos intensas. “Entre 60% e 70% do trigo está distribuído entre a região das Missões e aquela região de Ijuí. Por sorte, essas últimas chuvas foram muito menos intensas nessas regiões. Então, isso favoreceu o trigo”, disse.
Apesar dos problemas climáticos, a cultura tem se desenvolvido bem nesta safra, na avaliação do engenheiro agrônomo.
“Desde o início da safra de trigo, estava se desenhando um cenário catastrófico, mas as lavouras, no global, estão muito boas, com potencial muito bom. Eu tenho andado nas lavouras pelo Estado inteiro e, apesar de todas as intempéries do clima, as lavouras estão boas, com a condição de sanidade boa. Então, no momento, não enxergo necessidade de muito alarmismo ainda. Por enquanto, está tudo dentro de uma normalidade. E diria que está acima, muito acima do que se esperava”, observa Klein, explicando que não haverá problema de oferta do cereal no Estado.
Ainda assim, o especialista esclarece que a atividade está em um período de atenção. “O produtor precisa olhar para o clima e decidir o que vai fazer, o que não vai fazer. Isso está relacionado tanto a aplicações para controlar doenças, quanto para decidir o momento de colheita para o trigo que está maduro. Esse ano, o produtor não pode deixar trigo maduro na lavoura. Tem que colher para não depreciar a qualidade dele e para não acontecer aquele fenômeno lá da germinação pré-colheita.”
A área projetada pela Emater/RS-Ascar é de 814.220 hectares, e a produtividade média prevista chega a 2.701 kg/ha.
