Entre janeiro e junho as exportações de produtos da piscicultura brasileira caíram 34% em comparação com o mesmo período do ano passado. Isso aconteceu mesmo diante de uma recuperação entre os dois trimestres de 2026, com as exportações do período entre abril e junho 15% maiores do que aquelas entre janeiro e março.
As exportações de produtos da piscicultura do segundo trimestre de 2026 totalizaram US$ 12,5 milhões (2.316 toneladas), com aumento de 15% frente ao primeiro trimestre. Quando comparado ao mesmo período de 2025, houve uma queda de 26%.
No acumulado do semestre, o total foi US$ 23,3 milhões, queda de 34% frente ao primeiro semestre de 2025. A queda em volume (-42%) foi significativamente superior à redução do valor exportado, devido, em boa parte, à recuperação do preço médio do filé fresco de tilápia nos Estados Unidos.
Apesar da redução da tarifa de importação imposta pelos Estados Unidos, em fevereiro de 2026, de 50% para 10%, o setor ainda não retomou o mesmo patamar de volumes verificados antes da guerra tarifária.
Vale lembrar que o governo norte-americano está em vias de implementar mais um aumento de tarifa de 25% para o filé de tilápia congelado, que, somado aos 10% atuais, elevando a tarifa para 35%
Ou seja, apesar de uma recuperação nos últimos meses, os índices de exportações do setor permanecem menores do que aqueles registrados antes do início do chamado tarifaço dos Estados Unidos.
Tudo sobre as exportações e importações de peixes pelo Brasil neste link.
O pesquisador Manoel Pedroza, da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas/TO), acompanha regularmente os números da piscicultura nacional.
"O tarifaço dos Estados Unidos foi sem dúvida o principal motivo que levou à queda das exportações da piscicultura nesse primeiro semestre de 2026 em comparação com 2025. Mesmo com a redução da tarifa de importação imposta por aquele país em fevereiro de 2026, de 50% para 10%, as exportações ainda não retomaram o patamar de vendas de 2025”, justifica Pedroza.
“Apesar dos produtos de tilápia (à exceção do filé congelado) não terem sido afetados pela recente tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil no mês de julho, ainda existe um certo clima de insegurança que impacta a confiança das empresas exportadoras”, acrescenta.
Tilápia, 91%
Considerando os meses, março foi o destaque nas exportações, com U$ 5 milhões, seguido por junho, quando houve U$ 4,7 milhões. Ao todo, o primeiro semestre deste ano movimentou US$ 23,3 milhões em valores exportados pela piscicultura nacional.
Em termos de categorias de produtos, os mais vendidos para o exterior nos seis primeiros meses deste ano foram os filés frescos ou refrigerados, que apresentam maior valor agregado.
Como esperado, a tilápia foi a espécie mais exportada em ambos os trimestres de 2026 e, portanto, também no semestre. Entre abril e junho, movimentou 95% em valores de exportação e 91% em toneladas.
Um mercado que tem chamado a atenção nos últimos meses é o Vietnã, de onde o Brasil tem regularmente importado tilápia. Após crescerem até março, desde abril essas importações vêm caindo, mas ainda não configurando uma tendência, de acordo com Manoel.
“Apesar das importações terem apresentado queda durante os últimos três meses (abril, maio e junho), ainda não é possível afirmar que se trata de uma tendência. No entanto, é possível que essa queda seja em parte reflexo das ações de restrição às importações implementadas por alguns estados brasileiros, como Santa Catarina e Pernambuco”, explica o pesquisador.
O levantamento não faz nenhuma menção aos embarques gaúchos de tilápia. Mas, em 2025, segundo Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026, elaborado pela Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), o Rio Grande do Sul exportou US$ 171.055 em tilápia, o que não representou nem 1% dos embarques brasileiros, cujos destaques foram Paraná, com US$ 28,422 milhões, ou 50% de todos os negócios, e São Paulo, com US$ 16,537 milhões, fatia de 29%.
Surpresa do Vietnã
E algo inédito aconteceu no segundo trimestre deste ano: o Brasil teve um pequeno volume de tilápia exportado para o Vietnã, quando normalmente é o inverso que ocorre.
De acordo com o pesquisador, “nesse período, foram exportadas 50 toneladas de filé de tilápia congelado para o Vietnã, o que equivale a dois contêineres. Isso é uma operação atípica, pois o Vietnã tem sido o grande exportador de tilápia para o Brasil - e não importador”.
E por que isso pode ter acontecido? “Considerando que alguns estados brasileiros têm implementado medidas para restringir a entrada de tilápia importada do Vietnã, é possível que essas exportações sejam devoluções de produtos que não puderam ser desembarcados e por isso foram reexportados”, explica.
O boletim é resultado do projeto BRS Aqua. Coordenado pela Embrapa, tem financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca e Aquicultura (SNA / MPA) e da própria Embrapa, contando ainda com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Serviço:
O que: Informativo Comércio Exterior da Piscicultura - edição 26 (referente ao segundo trimestre de 2026)
Onde acessar: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/doc/1188676/1/Informativo-Comercio-Exterior-ED26.pdf (acesso gratuito)
