A queda de braço entre o agro gaúcho e o governo federal somou uma nova ocorrência nesta semana. Mais uma vez, o embate se dá entre a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), agora com apoio manifesto da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Em nota distribuída conjuntamente na manhã desta quarta-feira, 15, as federações externam “profunda preocupação” com números divulgados pela estatal em relação à área, à produtividade e à produção gaúcha de arroz.
De acordo com o texto, a “Conab continua distribuindo informações que se alinham aos interesses ideológicos, mas que divergem da realidade observada”.
A nova crise teve início na terça-feira, 14, quando a Companhia apresentou os resultados do 4º Levantamento da Safra de Grãos 2024/2025. Em relação à orizicultura gaúcha, o estudo indica uma lavoura com área de 988 mil hectares, um acréscimo de 9,7% na comparação com o ciclo anterior. A produtividade está calculada em 8.356 quilos por hectare, com uma produção total de 8.255,2 milhões de toneladas.
Para a Federarroz, a área é 60 mil hectares menor, chegando a 928 mil hectares, 2,69% a mais do que em 2023/2024.
“Embora pareça pouco, esse erro pode custar bilhões de reais ao país”, destacam as federações na nota.
Para o presidente da Federarroz, Alexandre Velho, o governo supostamente manipula dados para baixar a cotação do grão. A nota não menciona os valores considerados pela Federarroz para produtividade e produção, mas, de acordo com a assessoria de comunicação da entidade, seriam de 8,4 mil quilos por hectare e 7,8 milhões de toneladas, respectivamente.
Tentativa de importação
No texto, as duas entidades relembram a intenção do Planalto de importar até um milhão de toneladas de arroz, sob alegação de evitar eventual desabastecimento depois da enchente que atingiu o estado em abril e maio de 2024 e, consequentemente, especulação de preços.
O governo “estava disposto a desperdiçar R$ 7,2 bilhões para compra de arroz importado, com o intuito de ser vendido com preço tabelado e abaixo do custo de produção”, afirma a nota, acrescentado que os produtores gaúchos sempre asseguraram que não haveria falta do cereal, como, de fato, não faltou.
Os leilões para aquisição do grão geraram suspeitas de corrupção e foram cancelados pelo Palácio do Planalto, que desistiu da importação. A operação enfrentou forte oposição do agro gaúcho.
Contratos de opção
Ultrapassado o episódio da tentativa de importação, a Conab anunciou a compra de até 500 mil toneladas de arroz, por meio de contratos de opção, para formação de estoque público. O preço oferecido, no entanto, ficou abaixo do custo de produção calculado pela Federarroz.
Com participação bastante reduzida de agricultores do RS, a estatal obteve apenas 18,34% do volume pretendido, mesmo tendo realizado três rodadas de pregões. Em meados de dezembro, antes do encerramento dos leilões, a Federarroz publicou uma dura nota contra o tratamento dispensado pelo governo à orizicultura.
No comunicado desta quarta-feira, as federações asseguram que a produção de arroz superará a demanda nacional. Por fim, ressaltam a apreensão com “retrocessos que temos presenciado com o sistema de informação oficial do governo federal. Mais diretores estão saindo do IBGE por não compactuarem com a nova política daquele instituto para a forma de produção e divulgação dos dados”.
Leia aqui a íntegra da nota.
